Venezuela: Chefe da ONU pede ‘gestos concretos’ de todas as partes para reduzir polarização política

Segundo relatos da imprensa, 13 pessoas morreram em duas semanas de manifestações anti-governamentais – algumas das quais acabando em confrontos violentos. Leia a nota de Ban Ki-moon na íntegra.

Protesto pacífico em Caracas, Venezuela, no último 22 de fevereiro. Manifestações pró e contra o governo de Maduro tomaram as ruas do país neste mês. Foto: Diego Urdaneta / Flickr.com/diego440

Protesto pacífico em Caracas, Venezuela, no último 22 de fevereiro. Manifestações pró e contra o governo de Maduro tomaram as ruas do país neste mês. Foto: Diego Urdaneta / Flickr.com/diego440

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu nesta quarta-feira (26) que todos os esforços sejam feitos “com urgência” para reduzir as tensões e evitar mais violência.

“O secretário-geral está triste com contínuos relatos de violência e perda de vidas em meio a protestos na Venezuela, e pede enfaticamente que todos os esforços sejam feitos com urgência para reduzir as tensões e evitar mais violência”, diz um comunicado de seu porta-voz.

Segundo relatos da imprensa, 13 pessoas morreram em duas semanas de manifestações anti-governamentais – algumas das quais acabando em confrontos violentos.

Ban disse ter tomado conhecimento dos chamados por diálogo feitos pelo presidente Nicolás Maduro e outros venezuelanos, mas disse esperar “gestos concretos de todas as partes para reduzir a polarização e criar as condições necessárias para o envolvimento em um diálogo significativo para que a calma possa ser totalmente restaurada no país o mais rápido possível”.

Na nota, Ban Ki-moon pediu a proteção dos direitos humanos de todos os venezuelanos. “Ele apela para que os venezuelanos, seja qual for sua posição política, expressem suas diferenças e reivindicações pacificamente e em conformidade com a lei, e busquem um terreno comum.”

Marcha de Juventude Comunista da Venezuela a favor do governo, no dia 21 de fevereiro. Foto: Agência Venezuelana de Notícias

Marcha de Juventude Comunista da Venezuela a favor do governo, no dia 21 de fevereiro. Foto: Agência Venezuelana de Notícias

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) destacou que milhares de pessoas nas grandes cidades em todo o país foram às ruas para protestar contra questões como o aumento das taxas de criminalidade e a dificuldade econômica pela qual passa o país.

O representante regional do ACNUDH na América do Sul, Amerigo Incalcaterra, já havia se posicionado no dia 13 de fevereiro, pedindo ao governo venezuelano que garanta que os direitos à liberdade de reunião pacífica e à liberdade de opinião e expressão sejam garantidos.

Ele também pediu uma investigação imediata, completa e imparcial sobre os assassinatos e sobre qualquer ato de uso excessivo da força. Incalcaterra pediu ainda a todas as pessoas e grupos que se abstenham de recorrer da violência, privilegiando “a qualquer momento os espaços para o diálogo”. “Recorrer à violência não é um meio para reivindicar direitos”, disse ele.

Leia abaixo a nota do porta-voz de Ban na íntegra, em português e em inglês.

Declaração do porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sobre a Venezuela

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Nova York, 26 de fevereiro de 2014

“O secretário-geral está triste com contínuos relatos de violência e perda de vidas em meio a protestos na Venezuela, e pede enfaticamente que todos os esforços sejam feitos com urgência para reduzir as tensões e evitar mais violência.

Ele tomou conhecimento dos chamados por diálogo feitos pelo presidente Nicolás Maduro e outros venezuelanos. Ele espera gestos concretos de todas as partes para reduzir a polarização e criar as condições necessárias para o envolvimento em um diálogo significativo para que a calma possa ser totalmente restaurada no país o mais rápido possível.

O secretário-geral pede a proteção dos direitos humanos de todos os venezuelanos. Ele apela para que os venezuelanos, seja qual for sua posição política, expressem suas diferenças e reivindicações pacificamente e em conformidade com a lei, e busquem um terreno comum.”

* * *
Statement attributable to the Spokesperson for the Secretary-General: Venezuela

New York, 26 February 2014

“The Secretary-General is saddened by continuing reports of violence and loss of life amid protests in Venezuela, and urges that all efforts be urgently made to lower the tensions and prevent further violence. He has taken note of the calls for dialogue made by President Nicolas Maduro and other Venezuelans. He hopes for concrete gestures by all parties to reduce polarization and create the necessary conditions to engage in a meaningful dialogue so that calm can be fully restored in the country as soon as possible.

The Secretary-General calls for the protection of the human rights of all Venezuelans. He appeals to Venezuelans, no matter their political perspective, to voice differences and grievances peacefully and in accordance with the law, and to seek common ground.”