Delegações de 11 países participam de oficina em Brasília sobre alimentação escolar

Evento organizado pelo Centro de Excelência contra a Fome, do Programa Mundial de Alimentos (PMA), tratou do potencial transformador da alimentação escolar.

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), contribui para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta da alimentação escolar e de ações de educação alimentar e nutricional. Foto: MEC

O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) contribui para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta da alimentação escolar e de ações de educação alimentar e nutricional. Foto: MEC

Delegações de 11 países participaram na semana passada da oficina Dia de Alimentação Escolar e Nutrição, organizada pelo Centro de Excelência contra a Fome, do Programa Mundial de Alimentos (PMA), das Nações Unidas, tendo como foco o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do governo federal.

Isatou Cham, chefe de programa do escritório do PMA na Gâmbia. Foto: PMA

Isatou Cham, chefe de programa do escritório do PMA na Gâmbia. Foto: PMA

O evento em Brasília teve a presença de representantes do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), e de escritórios de países do PMA.

Durante o encontro, o diretor do Centro de Excelência contra a Fome lembrou os participantes do potencial transformador da alimentação escolar. “O programa de alimentação escolar não é apenas uma despesa, ele é um investimento. Pois, ao disponibilizarmos alimentos para nossas crianças, nós estamos investindo no futuro dos nossos países”, disse.

Membros da equipe técnica do PNAE apresentaram aspectos específicos, como a legislação por trás do programa, seus sistemas de implementação e monitoramento, os aspectos nutricionais e as estratégias adotadas para garantir que o programa cubra as necessidades básicas de crianças e adolescentes, além do vínculo entre o PNAE e os agricultores familiares.

Também houve um momento de troca de conhecimentos entre os representantes dos países participantes. Cada um compartilhou informações sobre iniciativas na área de alimentação escolar que vem sendo desenvolvidas em seus respectivos países.

Moez Boubaker, chefe de gabinete do Ministério da Educação da Tunísia, falou sobre os esforços recentes de seu país para melhorar a alimentação escolar que é oferecida aos estudantes tunisianos.

“A Tunísia tem uma antiga tradição de alimentação escolar. No entanto, só nos últimos anos, verificamos que nosso programa de alimentação escolar estagnou. É por isso que começamos a trabalhar com a equipe PMA Tunísia na implementação de uma estratégia para aprimorá-lo”, disse Boubaker.

O ministro da Educação de Burkina Faso, Jean-Martin Coulibaly, também falou sobre a experiência de seu país. Segundo ele, Burkina Faso possui, desde os anos 1960, um programa de alimentação escolar de gestão centralizada. Contudo, o governo pretende apostar em uma abordagem diferente que permita uma maior participação da população.

Halake Bantem, oficial de programa do PMA Etiópia. Foto: PMA

Halake Bantem, oficial de programa do PMA Etiópia. Foto: PMA

“Nosso objetivo é fazer com que a alimentação escolar seja não apenas um programa de distribuição de alimentos, mas um instrumento de estímulo à comunidade no nível local, que valorize a cultura culinária das regiões e que garanta segurança alimentar aos burquinenses.”

Isatou Cham, chefe de programa do escritório do PMA da Gâmbia, destacou que, historicamente, as iniciativas de alimentação escolar no país eram lideradas pelo PMA e estavam focadas, essencialmente, na assistência alimentar.  Desde 2012, o país decidiu adotar uma abordagem diferente, lançando programa de alimentação escolar que contempla questões como a sustentabilidade, participação da comunidade e também o envolvimento do governo nacional.

“Para um país pequeno como a Gâmbia, consideramos que avançamos bastante em quatro anos. Uma das nossas maiores conquistas foi o comprometimento do governo de alocar  3 milhões de dólares para a alimentação escolar”,  disse Cham.

Representando do escritório do PMA na Etiópia, o oficial de programa Halake Bantem relatou que o programa de alimentação escolar em seu país tem ajudado a aumentar o número de matrículas de crianças em idade escolar em áreas pastorais.

“Este aumento é visível, especialmente entre as meninas que anteriormente não tinham acesso à educação devido a restrições culturais e aos padrões migratórios das comunidades pastorais”, declarou.

O Dia de Alimentação Escolar e Nutrição faz parte da estratégia do centro de promover a cooperação e troca de experiências entre países em desenvolvimento sobre programas e políticas de segurança alimentar e nutricional, como forma de contribuir para o alcance do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2, que trata da eliminação da fome.