Demanda de refugiados da Palestina atinge recorde; chefe da ONU pede mais financiamento aos doadores

Crise no Oriente Médio tem exigido mais ajuda da agência da ONU para refugiados da Palestina, porém déficit de 50 milhões de dólares impede que a agência preste todos os seus serviços.

UNRWA apoia 400 mil refugiados palestinos na Síria. Foto: UNRWA

UNRWA apoia 400 mil refugiados palestinos na Síria. Foto: UNRWA

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) está enfrentando demandas extraordinárias sob circunstâncias muito difíceis, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na quinta-feira (26).

Ele pediu que a comunidade internacional intensifique o suporte à agência para que 5 milhões de pessoas nas comunidades palestinas em Gaza, Cisjordânia, Líbano, Jordânia e Síria possam receber a ajuda necessária.

Ban destacou que, devido à situação atual na região, a agência não está apenas prestando assistência aos refugiados, mas também gerindo as crises que afetam todas as suas áreas de atuação.

Na Síria, por exemplo, a UNRWA está ajudando mais de meio milhão de refugiados palestinos, porém devido ao conflito no país, mais da metade deles são deslocados internos, enquanto outros 60 mil fugiram para o Líbano e Jordânia.

A agência também está aliviando a pobreza e o sofrimento em Gaza, onde mais de metade da população de 1,7 milhão de pessoas depende de ajuda alimentar para sobreviver.

Em uma reunião sobre a situação dos refugiados da Palestina, o chefe da ONU agradeceu aos doadores internacionais, que fornecem 97% do financiamento da UNRWA, mas acrescentou que é necessário muito mais para manter a ajuda da agência.

“A UNRWA enfrenta um déficit de financiamento em seus programas básicos de 50 milhões de dólares. Este déficit vai duplicar no próximo ano, pondo em risco a capacidade futura da agência para fornecer serviços básicos aos refugiados”, disse ele, observando que alguns dos serviços da agência já foram cortados.

Na Assembleia Geral, líder palestino diz que atual negociação pode ser a última chance de paz com Israel

Discursando no terceiro dia da 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU, o presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, disse que o tempo para as negociações de paz com Israel está se esgotando e pediu às Nações Unidas que ajudem a deter a construção de assentamentos israelenses em território palestino.

“A atual rodada de negociações parece ser a última chance de realizar uma paz justa”, disse ele sobre as negociações apoiadas pelos Estados Unidos que procuram resolver o conflito entre os dois povos e que já dura 65 anos.

Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, discursando na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Evan Schneider

Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, discursando na Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU/Evan Schneider

O acordo de paz pretende estabelecer dois Estados, o de Israel e o da Palestina, que viverão lado a lado em paz dentro de fronteiras seguras.

Abbas lembrou o Acordo de Oslo e a esperança que ele trouxe para a paz entre os dois povos. Porém, segundo ele, as esperanças foram abaladas pela intensa construção de assentamentos israelenses em território palestino.

“A comunidade internacional deve permanecer alerta para condenar e impedir quaisquer ações que possam prejudicar as negociações e refiro-me, sobretudo, à contínua construção de assentamentos na nossa terra, particularmente em Jerusalém”, declarou.

“Eu garanto que vamos respeitar todos os nossos compromissos e promover o ambiente mais propício para a continuação das negociações e fornecer as garantias para o seu sucesso, que visa a alcançar um acordo de paz no prazo de nove meses”, acrescentou ele sobre as negociações que começaram em agosto deste ano.