Demolição de construção palestina pode provocar novas tensões, alerta representante da ONU

Somente em 2014, 85 palestinos – mais da metade crianças – foram expulsas de suas residências pelo governo de Israel, enquanto outros 93 tiveram suas vidas afetadas.

Mulher palestina passa em frente a um soldado israelense, na Jerusalém Oriental. Foto: IRIN News/Andreas Hackl

Mulher palestina passa em frente a um soldado israelense, na Jerusalém Oriental. Foto: IRIN News/Andreas Hackl

Nesta última sexta-feira (28), o coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio (UNSCO), James W. Rawley, disse que estava “profundamente preocupado” com o atual deslocamento de palestinos e a destruição de sua propriedade privada na Jerusalém Oriental, após uma demolição, no dia 26, por autoridades israelenses.

A demolição de um edifício com dois apartamentos, uma mesquita e um centro médico desabrigou uma família de sete refugiados – cinco das quais eram crianças – e afetou outros 24 palestinos. Segundo Rawley, tais ações não só vão contra as obrigações de Israel perante a legislação internacional como causam sofrimento e ampliam as tensões.

“As demolições devem cessar até que os palestinos tenham acesso a planos de zoneamento justos e que atendam às suas demandas”, disse o coordenador, que também apontou para a dificuldade de residentes palestinos na Jerusalém Oriental em obter licenças de construção.

Moradia instável

Pouco mais de um terço da Jerusalém Oriental está reservada para assentamentos israelenses, enquanto apenas 13% está disponível para o desenvolvimento palestino. De acordo com Rawley, 298 palestinos foram removidos à força por demolições em 2013, um aumento considerável se comparado aos 71 palestinos deslocados no ano anterior.

Somente em 2014, 85 palestinos – mais da metade crianças – foram expulsas de suas residências e outros 93 tiveram suas vidas afetadas, adicionou o coordenador.