Relatório produzido pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) aponta para escalada das demolições de propriedades palestinas ordenadas em zonas controladas por Israel na área C.

Uma das sete estruturas demolidas em 3 de setembro de 2015 pelas autoridades israelenses na comunidade beduína na Cisjordânia. Foto: OCHA
Um novo relatório do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) revela que, segundo dados das autoridades israelenses, mais de 11 mil ordens de demolição estão sendo executadas na parte da Cisjordânia ainda controlada por Israel, território conhecido como área C. O documento foi produzido pelo OCHA num contexto de escalada das demolições de propriedades palestinas nessa região. Cerca de 13 mil propriedades de palestinos seriam destruídas com as novas ordens.
Em agosto, 143 construções mantidas por palestinos foram demolidas, o número mais elevado em cinco anos. O relatório ressalta que 77% das ordens de demolição afetam estruturas localizadas em território palestino ou possuídas por palestinos. Os assentamentos de beduínos, localizados na região central da Cisjordânia, também correm o risco de serem transferidos à força, devido a um plano de realocação concebido pelo governo de Israel. Desde 17 de agosto, já ocorreram demolições em oito dessas comunidades.
A área C é habitada por cerca de 300 mil palestinos que, segundo o relatório, estão em situação precária e vulnerável por conta das demolições realizadas por Israel. Desde 1988 até 2014, a Administração Civil de Israel já emitiu outras 14 mil ordens de demolição.
O porta-voz das Nações Unidas, Stéphane Dujarric, retransmitiu o alerta do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “O secretário apela às autoridades israelenses para que interrompam as demolições, revoguem os planos que resultariam numa transferência forçada de comunidades palestinas e implementem um regime inclusivo de planejamento e zoneamento que satisfaria as necessidades residenciais e comunitárias dos palestinos”, afirmou.