Desafio da ONU em esforços pós-conflito permanece, diz Ban Ki-moon

90% dos conflitos entre 2000 e 2009 ocorreram em países que antes tinham experimentado uma guerra civil.

Conselho de Segurança (ONU/JC McIlwaine)

A ONU fez progressos em seus esforços para ajudar países durante o período crítico após um conflito terminar, mas os desafios permanecem, como prova o número de países com crises em recentes anos. “Apesar da informação de progressos que fizemos, os desafios de consolidação da paz permanecem grandes”, disse o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, em seu discurso hoje (20) no Conselho de Segurança sobre a construção da paz pós-conflito.

“Muitos países continuam a enfrentar anos de instabilidade após o fim do conflito armado, com altos níveis de reincidência em violência. 90% dos conflitos entre 2000 e 2009 ocorreram em países que antes tinham experimentado uma guerra civil”, observou.

“As razões para a recaída”, Ban Ki-moon disse, “variam de país para país, mas há um ponto em comum: um déficit de confiança na sequência do conflito, entre os diferentes partidos políticos e grupos sociais, entre o Estado e a sociedade, e entre o Estado e seus parceiros internacionais”.

A pedra angular da arquitetura da ONU para a construção da paz é a Comissão de Consolidação da Paz, criada em 2005 para ajudar os Estados em dificuldades a não retornar para a guerra e o caos, fornecendo conselhos estratégicos para ajudar com projetos de recuperação. A Comissão tem atualmente seis países pós-conflito em sua agenda — Burundi, República Centro-Africana (RCA), Guiné, Guiné-Bissau, Libéria e Serra Leoa.

Ban Ki-moon disse que a ONU fortaleceu e expandiu suas parcerias, incluindo o Banco Mundial e organizações regionais. E, através da Iniciativa Capacidade Civil, a ONU está ampliando e aprofundando o conjunto de experiências em desenvolvimento institucional em áreas com falta de capacidade.

“O resultado desses vários esforços têm sido uma resposta mais coerente, oportuna e eficaz para prioridades imediatas pós-conflito”, disse o Secretário-Geral. Ele acrescentou que essa experiência revelou três elementos que são fundamentais para a prevenção da recaída em crise e para a formação de estados produtores mais resistentes e sociedades — inclusão, de desenvolvimento institucional e apoio internacional.

A construção de instituições e consolidação da paz pode levar uma geração, o que evidencia a necessidade de apoio internacional sustentado política e financeiramente, disse o chefe da ONU. Também destaca a importância da responsabilização mútua no longo prazo, o que cria uma parceria mais equilibrada entre doadores e governos beneficiários.

“A construção da agenda da paz das Nações Unidas está em fase normativa”, disse o presidente da Comissão de Consolidação da Paz, o Embaixador Abulkalam Abdul Momen de Bangladesh. “Embora não seja perfeito, nossos esforços estão fazendo a diferença e são dignos de nosso compromisso coletivo e investimento”.