Desafio de livrar 870 milhões de pessoas da fome permanece, afirma Diretor da FAO

Insegurança alimentar é ainda um grande desafio e eliminá-la exigirá liderança forte e uma ação conjunta, disse José Graziano da Silva. 70% delas estão em áreas rurais.

Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva. Foto: FAO/Alessandra Benedetti

Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva. Foto: FAO/Alessandra Benedetti

Apesar dos progressos significativos dos últimos anos no combate à fome no mundo, a insegurança alimentar é ainda um grande desafio e eliminá-la exigirá liderança forte e uma ação conjunta, afirmou o Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, durante uma reunião sobre uma estratégia contra a fome no mundo pós-2015, nesta quinta-feira (4) em Madrid (Espanha).

“Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio [ODM] nos fizeram avançar. Mas com 870 milhões de pessoas ainda passando fome, a guerra contra a insegurança alimentar está longe de terminar”, observou Graziano, lembrando que as oito metas para redução da pobreza no mundo, que incluem a redução pela metade da proporção de pessoas que sofrem de fome e tem prazo para cumprimento até 2015.

O mundo já produz comida suficiente para alimentar a todos, lembrou o chefe da FAO. O desafio para além de 2015 é fazer com que esses alimentos cheguem a quem precisa, com ênfase na nutrição adequada em nível local e aos mais vulneráveis, como crianças, mulheres e populações indígenas.

Tal progresso exigirá investimento público e privado significativo em áreas rurais, onde estão concentradas 70% das pessoas que vivem com fome e onde milhões de pessoas dependem da agricultura para alimentos e emprego.

No entanto, apesar da responsabilidade dos governos locais no combate à fome, a economia globalizada de hoje significa que nenhum país age sozinho, observou ele.

“As medidas tomadas por um país ou empresa podem afetar a segurança alimentar de outros, os conflitos podem levar a instabilidade nos países e regiões vizinhos”, advertiu Graziano da Silva. “Impactos sobre os recursos ambientais e naturais não são puramente nacionais e é praticamente impossível regular mercados e atividades em nível nacional.”