País é historicamente um centro de trânsito para migrantes. Hoje mais de 242 mil refugiados vivem lá, sendo que destes, mais de 231 mil são de origem somali.

Refugiados somalis descansam na costa de Iêmen após dura jornada do Chifre da África. Foto: ACNUR/R. Nuri
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) anunciou nesta sexta-feira (26), que registrou a chegada de mais de 30 mil refugiados e migrantes para o Iêmen neste ano, a maioria etíopes.
Desde 2006, quando o ACNUR começou a coletar estes dados, cerca de meio milhão de pessoas chegaram no Iêmen, através de uma perigosa viagem de barco — a maioria, vinda do Chifre da África — disse o porta-voz da agência, Adrian Edwards, a jornalistas em Genebra.
“O Iêmen é um centro de trânsito histórico para os migrantes e se destaca na região pela sua hospitalidade para com os refugiados”, disse Edwards, acrescentando que o país abriga na atualidade mais de 242 mil refugiados. Destes, mais de 231 mil são de origem somali.
Edwards observou que as chegadas registradas de refugiados no Iêmen vem aumentando nos últimos seis anos. No ano passado, mais de cem mil pessoas fizeram a viagem. Segundo a agência, o país é frequentemente usado como um ponto de trânsito por etíopes para viajar para os Estados do Golfo e poucos deles decidem pedir asilo. Além disso, há muitos relatos de maus-tratos, abuso ou tortura entre as pessoas que fazem o percurso por embarcações de contrabandistas.
“Os conflitos e a instabilidade no Iêmen têm limitado a capacidade das autoridades para lidar com o tráfico, especialmente ao longo da costa do Mar Vermelho, onde os contrabandistas iemenitas e traficantes estão, muitas vezes, à espera de receber os recém-chegados do Chifre da África”, disse Edwards.