Segundo o especialista independente, o país precisa buscar soluções duráveis para os deslocados internos e civis em condição vulnerável.

Mais de cem mil pessoas continuam a morar em acampamentos improvisados no Haiti. Foto: Logan Abassi/MINUSTAH
Quatro anos após o terremoto que devastou a capital haitiana de Port-Au-Prince, o relator especial das Nações Unidas sobre direitos humanos dos deslocados internos (IDPs), Chaloka Beyani, afirmou na última sexta-feira (4) que está na hora de alterar a abordagem humanitária no país para a promoção do desenvolvimento, com um foco em soluções duráveis para os IDPs do país.
“O simples fechamento de campos para deslocados internos não significa que soluções duradouras foram encontradas”, enfatizou Beyani. “Embora o número de pessoas nesta condição tenha caído de 1,5 milhões para uma estimativa oficial de 100 mil desde o terremoto, muito mais precisa ser feito.”
Segundo o relator, o governo do Haiti tem a responsabilidade primária em trabalhar no desenvolvimento destas iniciativas para os IDPs e os segmentos vulneráveis da população. Para isso, “é requerida a criação de oportunidades no país como um todo, mais o fortalecimento do Estado de Direito e uma política abrangente de moradia.”
“A política de subsídio para arrendamento, que visa ajudar os IDPs a deixar os campos de deslocados e encontrar uma moradia para alugar, é uma medida transitória para descongestionar os campos”, disse o relator especial. “Para ser sustentável, esta política deve promover meios de subsistência e atividades geradoras de renda e beneficiar a comunidade inteira onde os deslocados internos se estabelecem, incluindo o reforço ao acesso dos serviços básicos.”
O especialista independente da ONU parabenizou a criação de plataformas setoriais e comitês interministeriais para a coordenação de atividades de desenvolvimento, mas alertou que essas medidas devem ter em vista medidas em todas as áreas importantes, como água, saneamento, saúde, educação, emprego, entre outras.