Desenvolvimento e agricultura alternativa mostram um rumo contra o cultivo de droga ilícita, diz ONU

Incentivos para ajudar as comunidades a gerar trabalho e criar infraestrutura para vender suas colheitas lícitas são algumas das respostas para combater o crescente cultivo dedicado às drogas.

Campo da papoula no Afeganistão. Foto: UNODC

Campo da papoula no Afeganistão. Foto: UNODC

No evento sobre “Desenvolvimento Sustentável e o Problema Mundial das Drogas”, organizado pelo Conselho Econômico e Social da ONU (ECOSOC) nesta terça-feira (15), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, destacou a importância de incentivar atividades de desenvolvimento e ajudar os agricultores a investir na agricultura alternativa para estabilizar os mercados e criar empregos decentes.

Em países como o Afeganistão e o Mianmar, o cultivo da papoula do ópio tem crescido nos últimos anos e a mão de ferro com que os barões das drogas controlam esse negócio provoca a interrupção da paz, da segurança e do desenvolvimento nesses países. “Quando tomamos essas medidas, fazemos mais do que combater as drogas e o crime, nós promovemos o progresso e a paz”, disse Ban Ki-moon.

O diretor executivo do Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, ressaltou o sucesso da agência no combate às drogas, mas reiterou sobre a necessidade de ajudar as comunidades a construir postos de trabalho e criar infraestrutura para que os agricultores possam vender suas colheitas lícitas nos mercados. “O nosso objetivo é dar aos agricultores opções adicionais, de modo que eles possam se mover longe das drogas ilícitas e assim viver de forma justa e próspera”, acrescentou.

De acordo com informações do UNODC, o cultivo da papoula do ópio no Afeganistão atingiu um recorde em 2013, com aumento de 36%, enquanto a produção aumentou quase pela metade desde 2012. No sudeste da Ásia, o cultivo da papoula de ópio na área conhecida como Triângulo Dourado, que inclui o Mianmar, subiu pelo sétimo ano consecutivo.

Cerca de 200 mil pessoas ainda são vítimas de mortes relacionadas à droga, de acordo com o mais recente ‘Relatório Mundial de Drogas” do UNODC. Em 2012, de 162 milhões a 324 milhões de pessoas, o correspondente a uma média de 3,5% a 7% da população mundial, com idade entre 15 a 64 anos, afirmaram ter usado droga ilícita pelo menos uma vez no ano anterior.

Na ocasião, o presidente da ECOSOC, Martin Sajdik, também enfatizou a importância do desenvolvimento alternativo, capaz de enfrentar o problema das drogas através de uma forma integrada e equilibrada, que respeite o estado de direito e os direitos humanos. Além disso, observou o papel importante da sociedade civil, incluindo a comunidade científica e organizações não-governamentais, para enfrentar este desafio.