A participação desigual das mulheres no mercado de trabalho pode prejudicar seu acesso aos serviços de saúde, afirmou na quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne.
“O empoderamento econômico é vital para alcançar a igualdade de gênero, inclusive na saúde”, disse Etienne. “O empoderamento econômico das mulheres não é apenas um fim em si, uma vez que a sua participação no mercado de trabalho está intimamente ligada à proteção social na saúde. Examinar estas ligações é fundamental para alcançar a saúde universal para as mulheres”, completou.

Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) número 3 prevê alcançar a cobertura universal de saúde. Foto: Agência Brasil / Marcello Casal Jr.
A participação desigual das mulheres no mercado de trabalho pode prejudicar seu acesso aos serviços de saúde, afirmou na quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne.
As mulheres latino-americanas e caribenhas respondem por até 86% do trabalho não remunerado na região, o que acaba limitando suas oportunidades de entrar no mercado de trabalho, participar do setor formal e, com isso, ganhar melhores salários com benefícios como previdência e seguro-saúde.
“O empoderamento econômico é vital para alcançar a igualdade de gênero, inclusive na saúde”, disse Etienne. “O empoderamento econômico das mulheres não é apenas um fim em si, uma vez que a sua participação no mercado de trabalho está intimamente ligada à proteção social na saúde. Examinar estas ligações é fundamental para alcançar a saúde universal para as mulheres”, completou.
Os países das Américas estão individualmente e coletivamente estimulando ações para cumprir compromissos e alcançar os objetivos da Estratégia Regional de Acesso Universal à Saúde e Cobertura Universal de Saúde da OPAS, segundo a agência da ONU. Três prioridades da estratégia para a saúde universal são o acesso equitativo a serviços de qualidade abrangentes, a melhoria da governança e o financiamento na saúde.
“Especificamente, a estratégia insta os Estados-membros a trabalhar para eliminar os pagamentos diretos na prestação de cuidados de saúde. Sabemos que estes custos pessoais constituem uma barreira ao acesso aos serviços. Portanto, evitar tais custos diminui o risco de empobrecimento e exposição a despesas”, disse a diretora da OPAS.
“Os pagamentos diretos podem ser eliminados através da melhoria da proteção social em saúde, mas sabemos que muitos dos nossos mecanismos de proteção social não levam totalmente em consideração a perspectiva de gênero”, declarou.
Segundo ela, as mulheres estão em desvantagem devido à natureza da sua participação no mercado de trabalho formal. Nas Américas, a participação das mulheres no mercado de trabalho é de apenas 53% nas áreas urbanas, em comparação com 77% para os homens. Além disso, 79% das mulheres empregadas trabalham em setores de baixa produtividade, nos quais o acesso à proteção social é baixo.
As mulheres são menos empregadas, trabalham mais horas, ganham menores salários, e têm menos garantias para a proteção social em saúde, incluindo taxas mais baixas de pensão e aposentadoria, de acordo com Etienne.
“Esta realidade é agravada pelo fato de que, na América Latina e no Caribe, as mulheres vivem mais tempo e experimentam mais necessidades na área da saúde, em parte devido ao seu papel reprodutivo”, disse. “Isto significa que o potencial para despesas em saúde e custos de saúde é maior para mulheres”, completou.
De fato, os dados disponíveis para vários países da região mostram que as mulheres em todos os grupos de renda relatam problemas de acesso a cuidados de saúde devido a dificuldades no acesso a recursos para tratamento. Para os grupos de renda mais baixa, entre 37% e 90% das mulheres relataram tais problemas, dependendo do país.
“Para que as mulheres possam exercer plenamente o seu direito à proteção social na saúde, a melhoria das suas condições sociais, econômicas e culturais deve ter a máxima prioridade no debate e na concepção dos regimes de proteção social, dos mecanismos de financiamento da saúde (incluindo o seguro de saúde) e políticas de previdência”, disse a diretora da OPAS.
“Devemos ter em conta as realidades do trabalho não remunerados das mulheres através do desenvolvimento de políticas públicas sensíveis ao gênero que ajudam a eliminar as barreiras à participação das mulheres na força de trabalho remunerada. Dentro das estratégias voltadas para a saúde universal, o acesso à proteção social em saúde deve ser garantido, independentemente da contribuição financeira.”
A OPAS pede que os países da região levem em conta os impactos das desigualdades de gênero no acesso aos serviços de saúde em suas políticas sociais.
Alimentos mais seguros
Em muitas partes do mundo as mulheres produzem e preparam os alimentos vendidos nos mercados locais e consumidos nos lares. Elas, no entanto, muitas vezes não têm acesso à educação sobre iniquidade desses alimentos.
Pensando nisso, a OPAS publicou um manual sobre formas seguras de cultivar frutas e verduras, diminuindo as chances de contaminação. O documento está disponível (clique aqui) em espanhol.
A OMS estima que a cada ano uma em cada dez pessoas fica doente e 125 mil crianças menores de 5 anos morrem devido a doenças transmitidas por alimentos.