Fugindo da Crimeia e do leste ucraniano, 45% das pessoas que deixaram suas casas e cidades natais foram para o centro da Ucrânia, e 26% para o oeste do país.

Mulher deslocada lava roupas em um sanatório ucraniano. Foto: ACNUR/N.Dovga
Segundo estimativas do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), divulgadas nesta terça-feira (20), aproximadamente 10 mil pessoas – de maioria tártara, mas também ucranianos, russos e famílias mistas – abandonaram a Crimeia e o leste ucraniano por medo da insegurança e de perseguições.
“Deslocamentos na Ucrânia começaram antes do referendo de março sobre a Crimeia e têm crescido gradualmente desde então”, disse o porta-voz do ACNUR, Adrian Edwards. “Entre os afetados estão pessoas que se deslocaram duas vezes – primeiro da Crimeia, e uma segunda vez da Ucrânia oriental.” Cerca de um terço dos deslocados, notou Edwards, são crianças.
“As pessoas citam o medo de perseguições étnicas ou religiosas; no caso de jornalistas, ativistas dos direitos humanos e intelectuais, há o temor de perseguições por causa de suas atividades ou profissões”, continuou. “Outros dizem que simplesmente não conseguem mais manter seus negócios abertos.”
Segundo o porta-voz, o ACNUDH está trabalhando com autoridades locais, outras agências da ONU e ONGs parceiras para prestar auxílio aos que necessitam. Atualmente, prevê-se planos de integração para 150 famílias e abrigos para outras 50, mais assistência em dinheiro para 2 mil pessoas. Dos deslocados, 45% rumaram para o centro do país e 26% para o oeste.