Deslocamentos maciços na Síria continuam, alerta relator especial da ONU

Chaloka Beyani diz estar preocupado que países vizinhos não queiram mais receber refugiados sírios e afirmou que 4,25 milhões de pessoas necessitam de ajuda urgente no país.

Refugiados sírios na região do Curdistão do Iraque. Foto: ACNUR/G. Gubaeva

Refugiados sírios na região do Curdistão do Iraque. Foto: ACNUR/G. Gubaeva

O relator especial da ONU sobre os direitos humanos das pessoas deslocadas internamente, Chaloka Beyani, pediu que a comunidade internacional não perca de vista a situação de milhões de pessoas obrigadas a se deslocar em massa por causa de graves violações dos direitos humanos e do direito humanitário cometidos por todos os envolvidos no conflito da Síria.

“Há agora 6,8 milhões de pessoas que necessitam de proteção e assistência, dos quais 3,1 milhões são crianças”, afirmou Beyani na sexta-feira (27) durante sua apresentação ao Conselho de Direitos Humanos da ONU sobre a situação atual de deslocados internos na Síria. Ele também lembrou que 2 milhões de sírios já buscaram refúgio no países vizinhos.

“Cerca de 4,25 milhões de pessoas desprotegidas e sem abrigo adequado estão deslocadas internamente e, com a chegada do inverno nos próximos meses, a assistência humanitária estará em risco”, alertou.

Beyani disse que está preocupado que os países vizinhos à Síria comecem a bloquear a passagem de migrantes, lembrando o direito dos refugiados de procurar asilo em outros territórios.

Ele também pediu que todos os envolvidos no conflito permitam que a ajuda humanitária chegue aos mais necessitados.

O relator especial da ONU alertou que alguns setores essenciais, como abrigo e subsistência, estão recebendo pouco financiamento. Ele afirmou que a ajuda humanitária por si só não vai resolver a crise no país e uma solução pacífica só poderá ser atingida com a plena participação de todos os segmentos da sociedade síria.

Na manhã desta sexta-feira (27), o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou diferentes resoluções que condenam fortemente as contínuas violações sistemáticas e generalizadas dos direitos humanos e do direito internacional humanitário na Síria, pedindo que o governo conceda acesso imediato à comissão que vai avaliar a situação humanitária no país.

Oposição síria deve zelar pela paz no país, diz ONU

O secretário-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Oscar Fernandez-Taranco, mandou uma mensagem à Coalizão Nacional Síria, grupo de oposição ao governo, afirmando que eles têm um papel fundamental para negociar a paz e promover a democracia e a unidade de seu país.

Fernandez-Taranco disse na quinta-feira (26) ao membros do grupo – que se reuniu na sede da ONU em Nova York – que eles podem ajudar no sucesso da conferência Genebra II para a paz na Síria e reafirmou a posição do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, de que a única maneira para sair da crise é através do diálogo e do compromisso político.

Ele disse que, na reunião da quarta-feira (25), os ministros dos cinco países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU concordaram em trabalhar juntos e separadamente para se certificar de que os sírios que participarem da Conferência negociem de boa fé.

Fernandez-Taranco afirmou ainda que Ban e o representante especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Lakhdar Brahimi, discutiram nesta sexta-feira (27) sobre o tema e sobre a possibilidade de definir a data da Conferência.