Desnutrição crescente na República Centro-Africana preocupa agência da ONU

Programa Mundial de Alimentos precisa de 20 milhões de dólares até abril de 2014 para continuar atendendo população atingida por crise política.

Alimentos entregues em centro de distribuição do PMA em hospital em Bangui, na RCA. Foto: PMA/Herve Serefio

Alimentos entregues em centro de distribuição do PMA em hospital em Bangui, na RCA. Foto: PMA/Herve Serefio

Preocupada com a crescente insegurança alimentar na República Centro-Africana (RCA), o Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA) disse na sexta-feira (1) que planeja aumentar seus esforços humanitários, além de pedir mais apoio financeiro.

“As necessidades humanitárias têm aumentado nos últimos meses, como a retomada dos combates que agravaram a já precária situação de segurança”, disse a porta-voz do PMA, Elisabeth Byrs, a jornalistas em Genebra, acrescentando que, a fim de garantir a assistência alimentar contínua no país, a agência está pedindo uma adicional de 20 milhões de dólares até abril de 2014.

O conflito tem prejudicado os meios de subsistência de famílias já vulneráveis desde março, levando cerca de 1,1 milhão de pessoas a uma situação de insegurança alimentar.

De acordo com um parceiro da agência da ONU, a situação de segurança alimentar vai se agravar caso a violência continue. Os agricultores serão forçados a deixar suas fazendas, privando-os de suas atividades agrícolas.

O PMA está realizando diversas atividades humanitárias no terreno, como assistência aos refugiados e a pessoas deslocadas internamente, fornecimento de nutrição essencial para as mulheres, crianças e pessoas vivendo com HIV, entre outras iniciativas.

“O PMA está planejando atingir um total de 500 mil pessoas e apresentar um novo programa de alimentação suplementar para 66 mil crianças com idades entre 6 e 35 meses para prevenir a desnutrição aguda”, disse Byrs, acrescentando que a agência também vai lançar um programa de alimentação escolar de emergência no retorno às aulas, em novembro, para atender 10 mil crianças.

A porta-voz da agência lembrou que o serviço aéreo da ONU que transporta alimentos, gerenciado pelo PMA, precisa de 9 milhões de dólares para operar no período de janeiro a dezembro de 2014. A agência lembrou que este é o único meio de transporte que a comunidade humanitária dispõe para chegar à maior parte do país, cujas regiões são inacessíveis devido à frágil infraestrutura e estradas precárias.

Além disso, a situação de segurança instável causou o fechamento temporário de vários serviços do PMA e a realocação de seus funcionários, fazendo com que os esforços de ajuda alimentar sejam ainda mais complicados.

A crise humanitária decorrente das disputas políticas afetou toda a população de 4,6 milhões de pessoas.