Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz da ONU: mensagem do secretário-geral (vídeo)

Todos os dias, os capacetes-azuis – como são conhecidos os trabalhadores das forças de paz das Nações Unidas – ajudam a levar paz e estabilidade a sociedades dilaceradas pela guerra em todo o mundo. Assista nesse vídeo o depoimento de alguns dos 112 mil trabalhadores atuando nas forças de paz e a mensagem do secretário-geral da ONU para o tema.

Marcando o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz das Nações Unidas – no próximo 29 de maio –, o secretário-geral da organização, António Guterres, enviou uma mensagem em vídeo.

Todos os dias, os capacetes-azuis – como são conhecidos – ajudam a levar paz e estabilidade a sociedades dilaceradas pela guerra em todo o mundo. No vídeo, você também confere o depoimento de alguns dos 112 mil trabalhadores atuando nas forças de paz das Nações Unidas. “Nesse dia, prestamos tributo aos mais de 3,5 mil capacetes-azuis que deram as suas vidas a serviço da paz desde 1948. O sacrifício deles apenas reforça nosso compromisso em assegurar que os capacetes-azuis das Nações Unidas continuarão a proteger os civis de perigos”, disse Guterres.

Confira nesse vídeo na íntegra, a mensagem em texto abaixo e acompanhe as comemorações desse ano em nacoesunidas.org/tema/forcasdepaz.

Investindo na paz em todo o mundo

Mensagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, para o Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz das Nações Unidas – 29 de maio

Por quase 70 anos, a manutenção da paz da ONU provou ser um dos investimentos mais eficazes da comunidade internacional em paz, segurança e prosperidade.

A demanda por ‘capacetes-azuis’ da ONU aumentou constantemente ao longo dos anos, e a implantação está agora perto de um máximo histórico. A manutenção da paz teve um impacto positivo nas vidas de milhões de pessoas em todo o mundo.

Apesar de seus diferentes tamanhos e mandatos, todas as missões da ONU têm os mesmos objetivos: salvar vidas, proteger as pessoas, preparar o terreno para a paz e, em seguida, fechar. Eles se destinam a ser investimentos de curto prazo que proporcionam dividendos em longo prazo, criando o tempo e o espaço para os processos políticos se desenrolarem.

Até o momento, 54 operações de paz da ONU concluíram os seus mandatos. Mais duas, na Costa do Marfim e na Libéria, fecharão em breve, se unindo a uma longa lista de operações bem-sucedidas em Angola, Camboja, Croácia, El Salvador, Guatemala, Namíbia, Serra Leoa, Timor-Leste e outros lugares.

Olhando para a frente, estamos com o objetivo de fazer mais para acabar com as operações que alcançaram seus objetivos. Também estamos reformando e adaptando nossas missões de paz para melhorar sua eficácia nos ambientes cada vez mais desafiadores em que trabalham.

O orçamento de manutenção da paz de hoje – menos de metade de 1% dos gastos militares globais – é dinheiro bem gasto. É uma fração do custo de deixar que o conflito se espalhe e corroa os ganhos do desenvolvimento econômico. O investimento é multiplicado pelo crescimento econômico e pela prosperidade que se seguem da estabilidade e da segurança após missões de paz bem-sucedidas.

A ONU está trabalhando arduamente para tornar todas as nossas operações de manutenção da paz com bom custo-benefício do início ao fim. Estamos constantemente encontrarndo formas de reforma, reestruturar e reduzir custos.

Ao mesmo tempo, as forças de paz da ONU são implacáveis na busca de novas formas de construir uma paz sustentável.

As operações de manutenção da paz evoluíram desde o simples monitoramento de cessar-fogo até a proteção de civis, o desarmamento de ex-combatentes, a proteção dos direitos humanos, a promoção do Estado de Direito, o apoio a eleições livres e justas, a minimização do risco de minas terrestres e muito mais.

Elas também trabalham para assegurar que as mulheres estejam plenamente representadas nos processos de paz, na vida política e nas esferas do governo. Todos esses investimentos são fundamentais para construir uma paz duradoura.

Desde que assumi o cargo no início deste ano, fiz cessar o flagelo da exploração e do abuso sexual cometidos pelo pessoal da ONU, incluindo as forças de manutenção da paz, uma das minhas principais prioridades. Não somos de modo algum perfeitos. Mas quando cometemos erros, aprendemos com eles, esforçando-nos continuamente a desdobrar nosso pessoal e bens de uma forma que não é apenas responsável, mas benéfica para as pessoas e comunidades que servimos.

Estou ansioso para trabalhar com os Estados-membros a este respeito. A nossa parceria é fundamental para o êxito das missões de manutenção da paz, uma vez que os Estados-membros decidem onde vão as tropas, o que vão fazer e os recursos que irão apoiá-las.

A nossa estreita cooperação é vital para cumprir a promessa de uma paz duradoura, enquanto os agentes de manutenção da paz criam condições no terreno para permitir que as soluções surjam e se enraízem.

Tenho também priorizado assegurar que as mulheres desempenhem um papel muito mais ativo nas operações de paz, como tropas, policiais e civis. A igualdade de gênero é essencial por si mesma, e a presença de mulheres aumenta as chances de paz sustentada, enquanto reduz a incidência de abuso e exploração sexual.

Neste Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz das Nações Unidas, homenageamos mais de 113 mil ‘capacetes-azuis’, policiais da ONU e funcionários civis desdobrados em 16 missões.

Reconhecemos a contribuição de um número cada vez maior de Estados-membros para as nossas operações. Agradecemos a mais de 1 milhão de mulheres e homens que serviram sob a bandeira da ONU com profissionalismo, dedicação e coragem ao longo da nossa história. E honramos a memória de mais de 3.500 capacetes-azuis que perderam suas vidas enquanto serviam.

No ano passado, 117 pacificadores pagaram o preço final. Entre eles, militares, policiais, funcionários públicos internacionais, voluntários das Nações Unidas e funcionários nacionais de 43 países. Até o momento, em 2017, 12 capacetes-azuis foram mortos.

Os seus esforços em prol da comunidade internacional são uma das expressões mais concretas da determinação da Carta das Nações Unidas de “salvar as gerações sucessivas do flagelo da guerra”. Todos nós temos uma grande dívida com eles.