Dilma Rousseff exige na ONU esforços conjuntos para conter consequências da crise econômica global

A presidente brasileira observou que a política monetária não pode ser a única resposta para o crescente desemprego.

(ONU/Marco Castro)Primeira líder  a discursar durante a Assembleia Geral da ONU, a Presidenta brasileira Dilma Rousseff convidou os países a aumentar os esforços internacionais para resolver a crise econômica mundial, destacando que um equilíbrio deve ser encontrado para estimular o crescimento e, ao mesmo tempo, controlar os gastos públicos, sem recorrer a medidas de austeridade extremas.

“A grave crise econômica que começou em 2008 assumiu novos e preocupantes contornos”, disse ela. “A escolha de políticas fiscais ortodoxas agravou a recessão nas economias desenvolvidas, com repercussões para os países emergentes”. A presidente Dilma Rousseff destacou que os países devem encontrar um caminho que combine apropriados ajustes fiscais com medidas para estimular o investimento e a demanda de forma a travar a recessão em curso e garantir o crescimento econômico futuro.

Em particular, a presidente brasileira observou que a política monetária não pode ser a única resposta para o crescente desemprego e a pobreza já que isso está causando desequilíbrio nas taxas de câmbio, o que, por sua vez, gera uma valorização artificial das moedas de países emergentes. “Não haverá nenhuma resposta eficaz à crise econômica sem esforços de coordenação reforçada entre os membros das Nações Unidas e os organismos multilaterais, como o [Grupo dos 20] G20, o FMI [Fundo Monetário Internacional] e o Banco Mundial”, observou Rousseff.

A líder brasileira destacou que o Brasil tem tratado a crise internamente pelo exercício de um controle rigoroso sobre os gastos públicos e, simultaneamente, um aumento dos investimentos em inclusão, educação, infraestrutura e justiça social.

A Presidente Dilma Rousseff também falou da necessidade de uma ação multilateral para alcançar todos os compromissos assumidos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio +20), que o Brasil sediou em junho. “Em um contexto de desafios ambientais, crises econômicas e ameaças à paz em diferentes partes do mundo, o Brasil continua empenhado em trabalhar com seus vizinhos para construir um ambiente de democracia, justiça social, paz e prosperidade”.