Diminuição de apoio à educação básica prejudica número de crianças nas escolas, alerta UNESCO

Apenas 1,9 bilhão de dólares foram destinados aos países de baixa renda para a educação básica em 2011. São necessários 26 bilhões de dólares para preencher a lacuna de financiamento para a educação, que teve uma diminuição de 6% entre 2010 e 2011.

Crianças deslocadas em um campo para refugiados perto de Tawilla, em Darfur. Foto: UNAMID/Sojoud Elgarrai

Crianças deslocadas em um campo para refugiados perto de Tawilla, em Darfur. Foto: UNAMID/Sojoud Elgarrai

De acordo dados do Instituto de Estatística da UNESCO divulgados esta semana, 57 milhões de crianças estavam fora das escolas em 2011, somente 2 milhões a menos em relação a 2012. Segundo a agência, o desafio de colocar mais crianças na escola é agravado pelo fato de que a ajuda à educação básica diminuiu pela primeira vez em mais de uma década.

“Estamos em um momento crítico”, disse a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. “Agora não é o momento para os doadores voltarem atrás.”

Ela ressaltou que o mundo deve ir além de simplesmente ajudar as crianças a entrarem na escola – deve garantir que elas realmente aprendam o básico da alfabetização e habilidades matemáticas quando estão lá.

A UNESCO observa que apenas uma em cada quatro crianças que são matriculadas permanece na escola – um número que não mudou desde 2000. O número cai para uma em cada três estudantes na África subsaariana – que representa mais de a metade de todas as crianças fora da escola –, e no sul e oeste da Ásia, que possuem a maior taxa de evasão escolar precoce.

De acordo com a nova análise do “Relatório de Monitoramento Global da Educação para Todos”, a ajuda à educação básica diminuiu 6% entre 2010 e 2011.

De acordo com a UNESCO, em 2011, apenas 1,9 bilhões dólares foram destinados aos países de baixa renda, uma redução de 9% e um número significativamente menor que os 26 bilhões de dólares necessários para preencher a lacuna de financiamento para a educação básica.

Mais de 20% das crianças africanas nunca frequentaram a escola, ou a abandonaram sem completar o ensino primário.

Por outro lado, os países da Ásia Meridional e Ocidental, que também têm altas taxas de abandono, conseguiram reduzir o número de crianças fora da escola em dois terços, de 38 milhões em 1999 para 12 milhões em 2011.

A liberação das doações foi discutida nesta terça-feira (11), em Nova York, em apoio à Iniciativa Global de Ban Ki-moon e de seu enviado especial para a educação, Gordon Brown, “Educação em Primeiro Lugar”, para colocar todas as crianças na escola, melhorar a qualidade da aprendizagem e promover a cidadania global até o final de 2015.