Direitos humanos estão sob ataque e ‘não são mais prioridade’, alerta representante da ONU

Chefe de Direitos Humanos da ONU alertou que, particularmente na Europa, os partidos “etno-populistas” – que promovem ideias racistas – estão em ascensão em muitos países, alimentando o ódio e a divisão. Uma vez no poder, esses partidos estariam deliberadamente espalhando “visões distorcidas e falsas” de migrantes e ativistas de direitos humanos.

Em um discurso contundente que marcou o 25º aniversário da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, que ressaltou a natureza “universal, indivisível, interdependente e inter-relacionada” dos direitos humanos, o alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse que nos próximos 25 anos o mundo parecia estar “indo em outra direção”.

Em Viena, Zeid Ra'ad Al Hussein, alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, discursa na Conferência Internacional de Especialistas que celebra o 25º aniversário da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos. Foto: UNIS Viena/Lilia Jiménez-Ertl

Em Viena, Zeid Ra’ad Al Hussein, alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, discursa na Conferência Internacional de Especialistas que celebra o 25º aniversário da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos. Foto: UNIS Viena/Lilia Jiménez-Ertl

O mundo está recuando em relação aos direitos humanos e seus princípios estão sendo atacados em todos os cantos do planeta, alertou nesta terça-feira (22) o principal representante dos direitos humanos das Nações Unidas, pedindo às pessoas em todos os lugares que mostrem um “compromisso feroz e apaixonado” em defendê-los.

Em um discurso contundente que marcou o 25º aniversário da Conferência Mundial sobre Direitos Humanos, que ressaltou a natureza “universal, indivisível, interdependente e inter-relacionada” dos direitos humanos, o alto-comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, disse que nos próximos 25 anos o mundo parecia estar “indo em outra direção”.

Na Conferência de 1993, 171 países adotaram a Declaração e o Programa de Ação de Viena para fortalecer os direitos humanos em todo o mundo. A iniciativa foi amplamente vista como o modelo de direitos no período pós-Guerra Fria.

A conferência também pôs em marcha o estabelecimento de um escritório de direitos humanos da ONU, o ACNUDH, que Zeid lidera atualmente.

Ele disse que havia uma tendência “para trás, para uma época em que racistas e xenófobos deliberadamente inflamavam o ódio e a discriminação entre o público, enquanto se escondiam disfarçando a democracia e o Estado de Direito”.

Ele alertou que, particularmente na Europa, os partidos “etno-populistas” – que promovem ideias racistas – estão em ascensão em muitos países, alimentando o ódio e a divisão. Uma vez no poder, esses partidos estariam deliberadamente espalhando “visões distorcidas e falsas” de migrantes e ativistas de direitos humanos.

“Em quase toda a parte, em toda a Europa, o ódio que eles dirigem aos migrantes se infiltrou nos principais partidos e distorceu a paisagem política em direção a uma maior violência e sofrimento”, disse Zeid.

Não é hora de ‘complacência sonífera’

Observando as ameaças contra os direitos humanos em todo o mundo, que não eram mais tratadas como “uma prioridade”, mas sim como “um pária”, ele pediu a todos que defendam o que a Declaração de Viena realmente representa.

“Precisamos usar este aniversário para mobilizar uma comunidade muito mais ampla para defender os direitos humanos com nosso compromisso feroz e apaixonado”, disse Zeid, ressaltando a necessidade de deixar claro “a vital importância, que salva vidas, dos direitos humanos para a vida cotidiana e o futuro global de nossos semelhantes”.

“Não há tempo a perder. Que este seja um ponto de inflexão, para que a Declaração de Viena possa ser vista com orgulho – não como uma peça de museu decadente, mas como o porta-bandeira de um movimento ressurgente para construir a paz e o progresso”, disse ele.