Marcando o Dia dos Direitos Humanos (10), alto-comissário da ONU para os direitos humanos pediu que as pessoas defendam um sistema de proteção formulado justamente para promover a justiça e a igualdade para todos: “Um mundo onde as pessoas se concentram apenas nas necessidades de seu estreito grupo social, nacional ou religioso e ignoram ou atacam as necessidades dos outros é um mundo que pode rapidamente ceder à miséria e ao caos”.

Foto: Flickr/Steve Evans (Creative Commons)
“Uma pressão sem precedentes sobre as normas internacionais de direitos humanos está ameaçando o conjunto único de proteções estabelecido após o fim da Segunda Guerra Mundial.”
O alerta é do alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, ao marcar o Dia dos Direitos Humanos, que será comemorado no próximo sábado (10).
Zeid enfatizou que cada indivíduo pode desempenhar um papel em frear tais pressões, e que muitos já estão fazendo isso.
“2016 foi um ano desastroso para os direitos humanos em todo o mundo, e se a erosão crescente do sistema cuidadosamente construído de direitos humanos e do Estado de Direito continuar ganhando força, em última análise, todos irão sofrer”, disse.
“Muitos de nós estão com medo dos rumos que o mundo está tomando”, disse Zeid.
“Movimentos extremistas sujeitam as pessoas a violências horríveis. Conflitos e privação estão forçando famílias a fugir de suas casas. As mudanças climáticas escurecem os nossos horizontes. A discriminação, as disparidades econômicas e o desejo implacável de obter ou manter o poder a qualquer custo são os principais impulsionadores das crises políticas e de direitos humanos atuais. Valores humanos estão sob ataque – e muitas pessoas se sentem sobrecarregadas, sem saber o que fazer ou para onde ir.”
Zeid disse ainda que muitos líderes não estão conseguindo enfrentar efetivamente e honestamente esses complexos problemas sociais e econômicos. “Então as pessoas estão se desesperando para os discursos ilusórios que exploram o medo, semeiam a desinformação e a divisão, e fazem promessas sedutoras que não podem cumprir”, alertou.

Alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
“Mas nós aprendemos, através das amargas lições da história, que a humanidade só sobreviverá e prosperará se buscarmos soluções em conjunto. Os direitos humanos pretendiam ser e ainda são o antídoto para tudo isso: todos têm direitos – direitos econômicos e sociais, bem como direitos civis e políticos, e direito ao desenvolvimento – e é hora de defender esses direitos. Não apenas para si, mas para todas as demais pessoas.”
O chefe de direitos humanos da ONU pediu a todos os povos que defendam um sistema (de direitos) projetado precisamente com o objetivo de tornar o mundo um lugar melhor para todos.
“Um mundo onde as pessoas se concentram apenas nas necessidades de seu estreito grupo social, nacional ou religioso e ignoram ou atacam as necessidades dos outros é um mundo que pode rapidamente ceder à miséria e ao caos”, disse Zeid.
“Os direitos humanos são a base de uma política eficaz, em sociedades onde as pessoas sabem que podem confiar no governo e na lei. Destruir as leis e as instituições que foram construídas com tanto cuidado durante a última metade do século XX – concebido para proteger todos os indivíduos, bem como para promover a estabilidade e o bem-estar econômico – é míope e perigoso. Estas não são insignificâncias a serem deixadas de lado para ganho pessoal ou político”, acrescentou.