Diretora da OIT aponta riscos e oportunidades da Copa do Mundo para direitos trabalhistas no Brasil

Evento vai gerar em torno de 740 mil empregos até 2014. Lei Geral da Copa e formação qualificada para jovens, mulheres e negros incentivam o trabalho decente.

Copa vai gerar formação profissional para jovens, mulheres, negros e deficientes. Foto: Instituto Rodrigo Mendes

A infraestrutura para realizar a Copa do Mundo de Futebol em 2014 no Brasil deve receber em torno de 33 bilhões de reais para atender aos 3,7 milhões de turistas que estarão hospedados no país durante o evento. Para atender tamanha infraestrutura, cerca de 740 mil novos empregos serão criados, metade deles permanentes.

Nesse contexto, a Copa do Mundo de Futebol pode criar novas oportunidades para que temas relacionados ao mercado de trabalho venham à tona para serem debatidos e respeitados, afirmou a diretora do escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, na quinta-feira (5).

Em discurso para integrantes da UNI Global Union, entidade que reúne 20 milhões de trabalhadores do setor de serviços no mundo, Abramo alertou que um evento como esse corre o risco de desrespeitar os direitos fundamentais do trabalho, aumentar a concorrência de forma desleal, usando o trabalho infantil e forçado e o tráfico de pessoas, e causar um aumento nos casos de abusos sexuais de crianças e adolescentes.

Porém, ela destacou as potencialidades e oportunidades geradas pelo evento, como a Lei Geral da Copa, que prevê uma campanha nacional de mobilização sobre o trabalho decente, a possibilidade de formação e qualificação profissional para jovens, mulheres, negros, pessoas com deficiência e empregos ambientalmente sustentáveis.