O designer Oskar Metsavah e o artista Vik Muniz, junto com outros representantes da agência da ONU, lançaram um chamado de proteção da cultura como vetor de desenvolvimento e fonte de diálogo.

Uma das principais prioridades do comunicado é alertar para a importância de proteger e reabilitar o patrimônio cultural em países em conflito, como a mesquita de Aleppo, na Síria. Foto: UNESCO/Ron Van Oers
Embaixadores da Boa Vontade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), provenientes de diferentes partes do mundo, se encontraram em Paris entre os dias 30 de junho e 01 de julho para aprender sobre as diferentes áreas de atuação dessa agência da ONU e receber conselhos sobre como promover e criar maior sensibilização e visibilidade em seus países sobre essas ações.
Entre os participantes se encontravam os brasileiros Oskar Metsavah, criador da marca Osklen, e o artista visual Vik Muniz, ambos nomeados embaixadores da UNESCO em 2011 em reconhecimento aos seus trabalhos a favor da inclusão social e desenvolvimento sustentável no país.
Ao final da reunião, os embaixadores publicaram um comunicado com a intenção de lembar os Estados-membros da ONU sobre a importância da cultura como condutora de desenvolvimento e fonte de diálogo.
O documento solicita, entre outras prioridades, a proteção e reabilitação de bens e patrimônios culturais recentemente destruídos em conflitos na Síria, Iraque, Mali e outras localidades.
“A cultura desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de todas as sociedades, tanto do ponto de vista econômico, porque a cultura é uma fonte de emprego, renda e uma forma de combater a pobreza, como também do ponto de vista social, porque cultura é um vetor de coesão, dignidade e confiança no futuro”, diz o comunicado.
“Nós afirmamos que as formas atuais de conflito mostram que a cultura está no centro da reconciliação, do diálogo e da aproximação. A proteção da cultura e, portanto, a proteção da identidade das pessoas, é o coração de qualquer esforço sustentável para construir a paz”, afirmaram os embaixadores. Igualmente, parabenizaram os esforços da UNESCO para salvaguardar e reabilitar patrimônios culturais destruídos e ameaçados mundialmente, assim como as iniciativas da diretora-geral para mobilizar a opinião pública mundial e os formuladores de políticas em torno da cultura.
O comunicado também lembra o papel fundamental da cultura nas políticas de desenvolvimento e de paz, especialmente no contexto da elaboração da agenda de desenvolvimento pós-2015 das Nações Unidas.
“Apelamos para que a agenda internacional de desenvolvimento pós-2015 incorpore claramente o papel da cultura e da diversidade cultural como aceleradores e facilitadores do desenvolvimento sustentável, reconhecendo plenamente a cultura como a nossa fonte comum de criatividade, inovação e renovação, em que a humanidade está constantemente a reinventar, desenvolver e construir um futuro melhor”, conclui o documento.