Dois milhões de crianças estão sem serviços básicos na República Centro-Africana, alerta ONU

UNICEF afirmou que este número pode crescer caso o país não se estabilize rapidamente. Agência da ONU informou que 10 toneladas de suprimentos de emergência foram roubadas de seu armazém principal.

Crianças em um campo de deslocados internos em Kabo, norte da República Centro-Africana

Crianças em um campo de deslocados internos em Kabo, norte da República Centro-Africana

Dois milhões de crianças na República Centro-Africana (RCA) estão sem serviços sociais básicos, expostos à violência após a tomada de poder pela coalizão rebelde Séléka e à posterior insegurança e saques, alertou nesta sexta-feira (29) o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

A agência da ONU afirmou ainda que este número pode crescer caso o país não se estabilize rapidamente.

“Crianças na República Centro-Africana foram algumas das mais vulneráveis na África, mesmo antes da recente onda de conflito”, disse Manuel Fontaine, Diretor Regional do UNICEF.

“É imperativo ter acesso total e seguro às comunidades afetadas pelo conflito. A cada dia perdido, cada entrega frustrada e cada oferta roubada, mais crianças podem morrer”, advertiu Fontaine.

O Séléka invadiu a capital Bangui no dia 24 de março, forçando a fuga do Presidente François Bozizé. A tomada de poder foi condenada tanto pelo Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, quanto pelo Conselho de Segurança, que apelaram a todas as partes na RCA a proteger os civis.

Esta é a mais recente onda de combates desde dezembro de 2012, quando a coalizão rebelde lançou uma série de ataques, tomando o controle de grandes cidades.

Pelo menos 4,1 milhões de pessoas, quase metade das quais crianças, foram diretamente afetadas pela crise, o que inclui não ser capaz de frequentar escolas ou receber o suficiente para comer, estimou o UNICEF em um comunicado. Desde dezembro, 1,2 milhão de pessoas já foram privadas de serviços essenciais.

No início da semana, a agência da ONU disse que 10 toneladas de suprimentos de emergência foram roubadas de seu armazém principal. Os suprimentos incluem kits de água, cobertores, mosquiteiros, lençóis de plástico, medicamentos essenciais e itens de nutrição para 30 mil das pessoas mais vulneráveis, especialmente crianças e mulheres.

“Para cada dia que não podemos fornecer ajuda onde é necessária, há o aumento do risco de doenças e epidemias”, disse Souleymane Diabate, representante do UNICEF no país. “Como a República Centro-Africana avançará se suprimentos humanitários essenciais são roubados das pessoas que mais necessitam deles?”

O UNICEF reiterou as suas chamadas para que todas as partes em conflito “suspendam imediatamente o saque de suprimentos humanitários, para garantir o acesso livre e seguro dos agentes humanitários para os necessitados, e para garantir que todos os envolvidos respeitem os princípios humanitários, dos direitos humanos e do Estado de Direito”.

Chegou o tempo para a coalizão Séléka “realmente demonstrar o quão comprometida é com princípios humanitários e de direitos humanos para todos”, disse Fontaine. “As necessidades e os direitos das crianças devem ser a prioridade para o novo governo”, acrescentou.

Agências, fundos e programas da ONU – incluindo o UNICEF – diminuíram suas atividades na RCA esta semana devido à insegurança, mantendo no entanto sua presença no país.