Durante Conferência Regional da FAO, Brasil aumenta cooperação para 20 milhões de dólares

“A fome não pode ser apenas o compromisso de um governo, deve ser uma decisão tomada por uma sociedade inteira”, disse o brasileiro Diretor-Geral da FAO, José Graziano da Silva.

Mulher nigerense atingida pela seca no vilarejo de Dan Kada (ONU/Phil Behan)Em resposta ao apelo do Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, os países da América Latina e do Caribe reafirmaram seu compromisso com a erradicação da fome, durante a 32ª Conferência Regional que terminou nesta sexta-feira (30/03) em Buenos Aires. Foram discutidos os desafios da alimentação e da agricultura e definiram-se as prioridades do trabalho regional para os próximos dois anos: a adaptação às alterações climáticas, agricultura familiar, saúde e segurança alimentar.

“Esta iniciativa pertence aos países e deve ser abraçada pelos parlamentos, pelo setor privado e pela sociedade civil; porque a luta contra a fome não pode ser apenas o compromisso de um governo, deve ser uma decisão tomada por uma sociedade inteira”, disse Graziano da Silva. Pela primeira vez, representantes da sociedade civil participaram com voz nas deliberações da Conferência para a América Latina e Caribe. A pedido dos movimentos sociais presentes, a Conferência concordou em iniciar um debate sobre soberania alimentar, um conceito já incorporado na legislação de vários países como Equador, Nicarágua e Venezuela.

A Conferência Regional apoiou o fortalecimento da presença da FAO nos países em desenvolvimento, a fim de melhorar a assistência prestada a esses países em agricultura e segurança alimentar. Os países e a própria FAO se comprometeram a continuar o seu apoio ao Haiti e enfatizaram a importância crucial de promover a integração dos países do hemisfério Sul, na chamada cooperação Sul-Sul. Governos reiteraram o seu compromisso com a Iniciativa “América Latina e Caribe sem Fome 2025” (IALCSH), um esforço dos países em assegurar que nenhuma criança, homem ou mulher passe fome.

O governo brasileiro aumentou sua cooperação com a FAO para atingir a meta de uma América Latina e Caribe sem Fome e apoiar a promoção da segurança alimentar em outras regiões. O novo acordo inclui um investimento de 20 milhões de dólares em estratégias de redução da pobreza e desenvolvimento rural sustentável, de iniciativas de alimentação escolar, de prevenção e gestão de desastres e de agricultura familiar.