É preciso agir rápido para evitar outra tragédia alimentar na África, afirma Relator da ONU

Diversos países da região do Sahel, no centro-oeste da África, estão à beira de uma crise humanitária. Maioria dos governos declarou estado de emergência.

Relator Especial das Nações Unidas sobre Direito a Alimentação, Olivier De Schutter.

Seca, safras ruins e o aumento dos preços dos alimentos deixaram a região do Sahel, no centro-oeste da África, à beira de uma crise humanitária. O alerta foi feito hoje (24/1) pelo Relator Especial das Nações Unidas sobre Direito a Alimentação, Olivier De Schutter.

“Não podemos esperar que as pessoas estejam morrendo de fome para agir. O mundo precisa responder imediatamente para evitar uma crise nutricional em larga escala”, afirma De Schutter. “A crise pode parecer uma calamidade natural, mas é na verdade um sintoma de nossa incapacidade em estar preparado de forma adequada e reagir de forma mais rápida aos primeiros sinais de alerta.”

Os países afetados até agora são Chade, Mali, Mauritânia e Níger. As preocupações também se estendem para Burkina Faso, Senegal, Camarões e Nigéria. A maioria dos governos já declarou estado de emergência e pediram assistência internacional.

Seis milhões de pessoas afetadas vivem no Níger, 2,9 milhões em Mali e 700 mil na Mauritânia. No Chade e na Mauritânia, há um déficit de grãos de mais de 50%, comparado com o ano passado.

“Nós temos a tecnologia para prever com precisão a escassez de alimentos, e temos aprendido algumas lições com as crises anteriores. Agora precisamos da resposta internacional. O mundo não deve cometer os mesmos erros que cometeu, quando demorou a responder à crise do ano passado no Chifre da África. Temos uma chance e o dever de salvar vidas”,  ressaltou De Schutter.