Documento destaca o avanço dos sites de compras na Internet no Brasil, que já foram visitados por 91% dos usuários. Ativos das tecnologias da informação e das comunicações (TIC) contribuíram para 14% do crescimento do PIB brasileiro entre 1995 e 2008.

Foto: Marcello Casal Jr/ABr
Segundo o relatório “Economia Digital para a Mudança Estrutural e Igualdade”, a economia digital representa 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, Argentina, Chile e México — dado que ganha importância quando comparado com a União Europeia, onde a parcela chega a 5% do PIB.
O documento é uma realização da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e foi apresentado nesta quinta-feira (4) durante a Quarta Conferência Ministerial sobre a Sociedade da Informação da América Latina e do Caribe, que terminou nesta sexta-feira (5).
A publicação faz um panorama da economia digital na América Latina e o seu potencial para alcançar um estágio econômico superior, propondo que seus países avancem para uma nova estratégia de política industrial e tecnológica, cujo centro seja a economia digital. Segundo a CEPAL, os ativos das tecnologias da informação e das comunicações (TIC) contribuíram para 14% do crescimento do PIB brasileiro entre 1995 e 2008.
O livro destaca o avanço do comércio eletrônico tanto no Brasil quanto em outros países latino-americanos. Em terras brasileiras, as visitas aos sites de compras alcançaram 91% dos usuários da internet, enquanto que a mesma taxa foi de 80% na Argentina e 72% no Chile. Para a CEPAL, estes sites requerem uma atenção especial por políticas públicas, já que atualmente sua utilização está concentrada em poucas nações.
Desigualdade entre classes sociais é alta
A publicação ressalta que na região há grandes diferenças na taxa de uso da internet por comparação entre as classes sociais. Segundo pesquisas de 2009 e 2010 com oito países latino-americanos, as classes mais ricas têm uma taxa de uso de 58%, enquanto que em relação às mais pobres é de apenas 11%. Brasil, Chile e Uruguai têm a maior taxa de acesso nas camadas com menores rendas: uma média de 20%.
Segundo a CEPAL, são componentes da economia digital a infraestrutura das telecomunicações — particularmente as redes de banda larga –, as indústrias das TIC — software e aplicativos, hardware e serviços — e o grau de alfabetização digital dos usuários.
Durante a abertura da conferência, na quarta-feira (3), a Secretária-Executiva da CEPAL, Alicia Bárcena, disse que a América Latina e o Caribe devem avançar da economia digital para a mudança estrutural e a igualdade.
Bárcena destacou a necessidade de promover a economia digital para impulsionar o crescimento, o que requer conjugar novas estratégias de política industrial e tecnológica e consolidar um mercado de TIC integrado no qual se incorporem todos os países, setores produtivos e segmentos sociais. “A economia digital é uma força crucial para impulsionar a mudança estrutural, avançar na redução da desigualdade e fortalecer a inclusão social que tanto necessitam nossos países”, afirmou.
A conferência aconteceu em Montevidéu, capital do Uruguai. Além de Bárcena estavam presentes também na abertura o Presidente do Uruguai, José Mujica, e o Diretor da DG CONNECT.E da Comissão Europeia, Mario Campolargo.
Para ler o relatório em espanhol, clique aqui.