Economia e padrão de vida na Palestina são profundamente afetados por bloqueios israelenses, diz ONU

O Território Palestino Ocupado sofre atualmente a mais alta taxa de desemprego do mundo, com rendimentos e produção agrícola em queda, de acordo com o organismo de comércio e desenvolvimento da ONU, UNCTAD. O escritório observou que mulheres e jovens foram os mais afetados, à medida que a ocupação israelense continua.

Criança palestina estuda sem eletricidade no acampamento Beach, em Gaza ocidental. Foto: UNRWA/Tamer Hamam (2017)

Criança palestina estuda sem eletricidade no acampamento Beach, em Gaza ocidental. Foto: UNRWA/Tamer Hamam (2017)

O Território Palestino Ocupado sofre atualmente a mais alta taxa de desemprego do mundo, com rendimentos e produção agrícola em queda, de acordo com o organismo de comércio e desenvolvimento da ONU. O órgão observou que mulheres e jovens foram os mais afetados, à medida que a ocupação israelense continua.

“Com o bloqueio agora em seu décimo primeiro ano, a Faixa de Gaza foi reduzida a uma situação humanitária de profundo sofrimento e dependência de auxílio”, disse a Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

“A capacidade produtiva de Gaza foi eviscerada por três grandes operações militares e bloqueios no ar, mar e terra”, acrescentou.

Em seu relatório sobre a assistência ao povo palestino, a agência da ONU também alertou para as fracas perspectivas de crescimento devido à diminuição do apoio de doadores; o congelamento das obras de reconstrução de Gaza; e consumo público e privado insustentável, financiado por crédito.

O documento também observou que a longa crise de eletricidade em Gaza se agravou. No início de 2018, famílias recebiam, em média, duas horas de eletricidade por dia. A escassez de energia tem afetado drasticamente a vida cotidiana e interrompendo a prestação de serviços básicos.

“A duradoura privação dos direitos econômicos, sociais e humanos básicos tem profundos impactos no tecido psicológico e social de Gaza, como mostra a ampla incidência de transtornos de estresse pós-traumático e altas taxas de suicídio”, afirmou a UNCTAD, observando que, em 2017, 225 mil as crianças – mais de 10% da população total – necessitaram de apoio psicossocial.

O relatório também observou que a construção de assentamentos acelerou em 2017 e no início de 2018 e destacou evidências de “anexação incremental” de grandes partes da Cisjordânia, que incluíram a transferência de cidadãos israelenses para assentamentos, forçando a saída de palestinos.

Além disso, o texto apontou que uma união aduaneira – estabelecida em 1967 e formalizada em 1994 – sob a qual prevalece o livre comércio entre Israel e o Território Palestino Ocupado é inerentemente defeituosa devido às diferenças estruturais entre as duas economias e seus distintos níveis de desenvolvimento.

De acordo com o relatório, os resultados são agravados devido à falta de cooperação e ao fato de que Israel define os termos e condições do funcionamento de sindicatos.

“Efetivamente, o Território Palestino Ocupado está isolado dos mercados globais mais competitivos, o que, por sua vez, promove um nível extremamente alto de desvio de comércio para Israel, segundo o relatório”, disse a UNCTAD.

Para quebrar o ciclo de expropriação e desenvolvimento atrasado, o relatório pediu uma nova estrutura que garantisse à Autoridade Nacional Palestina controle total sobre seu território alfandegário, fronteiras, comércio e políticas industriais.

Acesse aqui o relatório.