Economia mundial deve crescer 3% em 2014 e 3,3% em 2015, prevê estudo da ONU

Relatório mostra necessidade de coordenação política mais firme para estabilizar a fragilidade do sistema bancário e geopolítico, que ainda podem dificultar a estabilidade financeira.

Foto: USP/Marcos Santos

A economia mundial deve continuar crescendo ao longo dos próximos dois anos, mas ela precisa de uma coordenação política mais firme para estabilizar a fragilidade do sistema bancário e geopolítico, que ainda podem dificultar a estabilidade financeira, afirmou a Organização das Nações Unidas nesta quarta-feira (18).

O crescimento deverá ser de 3% em 2014 e 3,3% em 2015, uma leve alta se comparado ao crescimento estimado de 2,1% para 2013 divulgado durante a prévia do relatório “A Situação Econômica Mundial e Perspectivas para 2014”.

“A economia mundial registrou um crescimento moderado pelo segundo ano consecutivo em 2013, mas algumas melhorias no último trimestre levaram à previsão mais positiva”, disse o Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais e a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, que produziram o relatório com as cinco comissões regionais.

A ONU fez suas previsões baseada em fatores que incluem o fim da recessão prolongada do euro e a expectativa de crescimento de 2,5% dos Estados Unidos para 2014, influenciada pela possibilidade de um aperto fiscal e uma série de medidas políticas sobre questões orçamentais.

Enquanto isso, a Europa Ocidental continua economicamente fraca apesar da melhora da recessão. De acordo com o relatório, a austeridade fiscal e o desemprego deverão continuar altos e a região deve crescer 1,5% em 2014.

O documento, que será disponibilizado na íntegra a partir do dia 20 de janeiro, também afirma que as grandes economias emergentes, incluindo China e Índia, conseguiram segurar a desaceleração, apesar de alguns setores terem apresentado um crescimento extremamente baixo.

Segundo a secretária-geral adjunta da ONU para o desenvolvimento econômico, Shamshad Akhtar, a previsão foi feita “no contexto de muitas incertezas e riscos provenientes de possíveis erros de política, além de fatores não econômicos que poderiam dificultar o crescimento”.

Dada a complexidade e variedade de tais desafios, o relatório pede que haja um reforço de cooperação política e coordenação internacional.

“Os formuladores de políticas nos países em desenvolvimento e nas economias em transição enfrentam uma série de desafios tanto nacionais quanto internacionais. Isso vai exigir trocas comerciais difíceis e possíveis reformas institucionais e estruturais positivas”, disse Akhtar.

Ela ressaltou que as novas políticas devem se concentrar no equilíbrio entre a recuperação para um cenário econômico melhor, particularmente no crescimento do emprego, e a minimização dos efeitos colaterais da diminuição da flexibilização quantitativa nos principais países desenvolvidos.

Medidas políticas mais eficazes também são necessárias para avançar as reformas do sistema financeiro internacional. O progresso na reforma da regulamentação econômica tem sido lento, encontrando crescente resistência por parte da indústria financeira.

O relatório acrescenta que esforços mais vigorosos são necessários para resolver os problemas de sonegação e evasão de divisas, especialmente via paraísos fiscais.