Egito pós-revolução deve ser livre do medo da violência sexual, diz enviada da ONU

Para Zainab Hawa Bangura, os relatos que estão surgindo sobre ataques a manifestantes mulheres são só “a ponta do iceberg”, já que a maior parte dos casos permanece não denunciado.

Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

A Representante Especial do Secretário-Geral sobre Violência Sexual em Conflitos, Zainab Hawa Bangura, expressou nesta quarta-feira (3) consternação com os ataques sexuais contra mulheres manifestantes no Egito, assim como as mensagens de proeminentes líderes religiosos e políticos que diziam que eles seria as culpadas.

“A história do Egito no período pós-revolucionário não pode ser a de um país cujas mulheres marcharam em apoio à democracia apenas para ter sua própria liberdade negada, suas vidas diretamente ameaçadas e seu ativismo político vibrante marcado por um clima de medo e insegurança”, afirmou Bangura, pedindo que os responsáveis pelas agressões sejam punidos.

Pelo menos 25 mulheres teriam sido agredidas sexualmente na Praça Tahrir, no centro do Cairo, no final de janeiro, de acordo com o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). As manifestações coincidiram com o segundo aniversário da revolução egípcia, quando protestos derrubaram o então presidente Hosni Mubarak.

Além dos ataques em janeiro, houve uma série de casos de agressão sexual relatados na mesma praça nos últimos 18 meses.

“À medida que mais informação está vindo à tona sobre o número de mulheres que foram estupradas e abusadas sexualmente, estamos preocupados que esta seja apenas a ponta do iceberg, uma vez que este fenômeno geralmente permanece em grande parte invisível”, ressaltou a Representante Especial.

À época, a ex-chefe da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, e a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, estavam entre os funcionários das Nações Unidas que condenaram os ataques e pediram que as autoridades reforcem as medidas de segurança, bem como investiguem os ataques relatados.