Egito: Secretário-geral da ONU pede superação das dificuldades pela não violência

Para Ban Ki-moon, é crucial o rápido reforço do governo civil de acordo com os princípios da democracia e a preservação de direitos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão e de reunião.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Com a transição do Egito em “outro momento delicado”, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, reiterou na noite desta quarta-feira (3) seus apelos por não violência e moderação, pedindo uma abordagem inclusiva para superar as atuais “dificuldades profundas” e responder às preocupações de todos os egípcios.

“O secretário-geral está acompanhando atentamente e com preocupação a rápida evolução dos acontecimentos no Egito. Ele continua apoiando as aspirações do povo egípcio”, afirma o comunicado emitido pelo porta-voz da ONU.

Na esteira dos protestos em massa – a favor e contra o atual Governo do Egito – Ban observou a delicada natureza da situação após o anúncio do Exército de que está suspendendo a Constituição e nomeação do chefe da Corte Constitucional como presidente interino – “decisões que não foram aceitas pelo presidente [Mohamed] Morsi”.

O Egito passa por uma transição democrática depois da derrubada do presidente Hosni Mubarak, há dois anos, na sequência dos protestos em massa similares aos vistos em outras partes do Oriente Médio e Norte da África chamados de “Primavera Árabe”.

As manifestações têm acontecido no Cairo e em outras cidades do país nos últimos dias com pedido de renúncia do presidente Morsi. A imprensa relatou que na segunda-feira (1) o Exército do país deu aos países de oposição 48 horas para solucionar a crise política.

“Neste momento de grande tensão continuada e incerteza no país, o secretário-geral reitera seus apelos por calma, não violência, diálogo e moderação”, diz a nota, acrescentando que uma abordagem inclusiva é essencial para lidar com as necessidades e preocupações de todos os egípcios.

“A preservação de direitos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão e de reunião, continua de importância vital.”

Ban disse que, nos protestos, muitos egípcios expuseram profundas frustrações e preocupações legítimas. Ao mesmo tempo, a interferência militar na questão em qualquer Estado é preocupante. “Portanto, será crucial reforçar rapidamente o governo civil de acordo com os princípios da democracia”, afirmou o secretário-geral.

“O mundo está atento aos próximos passos com a esperança de que os egípcios continuarão num curso pacífico, superarão as profundas dificuldades que enfrentam hoje e encontrarão uma base comum para seguir com a transição pela qual tantos lutaram tão corajosamente”, declarou Ban.