Comitê pede autorização para visitar o país e auxiliar autoridades na implementação de procedimentos essenciais para garantir proteção e promoção de todos os direitos humanos.

Foto: Arquivo UN News
Um grupo de especialistas da ONU em Direitos Humanos pediu nesta sexta-feira (16) pelo fim imediato dos confrontos violentos no Cairo que mataram centenas de pessoas e feriram milhares nos últimos dias. “O Egito está enfrentando uma crescente e profundamente preocupante crise de direitos humanos.”
“Condenamos qualquer uso excessivo da força pelos agentes de segurança e pedimos uma investigação completa das ações deles”, disse a coordenadora do Comitês de Especialistas Internacionais do Conselho de Direitos Humanos, Chaloka Beyani. “Manifestações pacíficas não devem ser respondidas com violência e os responsáveis por ordenar e perpetrar mortes arbitrárias e outras violações de direitos humanos devem ser julgados por suas ações sob leis nacionais e internacionais.”
O Comitê apelou para que o Governo autorize uma visita de observadores de direitos humanos para auxiliar as autoridades na adoção de procedimentos essenciais para a garantia da proteção e da promoção de todos os direitos humanos.
Como o estado de emergência foi implementado no país, os especialistas em direitos humanos destacaram que isso não poderá justificar a suspensão de direitos humanos não anuláveis e que nenhuma circunstância justifica execuções sumárias, tortura, desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias.
“Também condenamos qualquer violência perpetrada por manifestantes e pedimos que eles se mantenham pacíficos e rejeitem violência e retaliação”, acrescentou Beyani. “Líderes políticos, religiosos e comunitários de todas as partes não devem incitar mais violência e deveriam adotar medidas urgentes para neutralizar as tensões e a atual situação extremamente perigosa.”
Os especialistas estão alarmados com a violência e lamentaram os mais de 600 mortos – incluindo mulheres, jovens e profissionais de mídia – na ação das forças de segurança para desocupar um acampamento de manifestantes no centro do Cairo. “Essas sérias violações dos direitos humanos internacionais não podem ficar impunes”, enfatizaram.
O grupo também pediu calma, tolerância religiosa e medidas para uma reconciliação política. Destacaram, ainda, a necessidade de acabar com a violência sexual. “Um período de diálogo, reconciliação e transição política inclusiva que reconheça as preocupações de toda a sociedade deve começar para garantir um Egito estável, democrático e unido.”