As disputas politicas geraram uma crise humanitária generalizada, levando mais de 145 mil burundianos a encontrar refúgio em países vizinhos.
A escalada da violência gerada pelas disputas políticas no Burundi requer uma resposta do Conselho de Segurança das Nações Unidas antes que as hostilidades se transformem em atrocidades indiscriminadas, alertou um grupo de especialistas independentes da ONU.
“A comunidade internacional não deve simplesmente ficar parada e esperar que se transformem em atrocidades em massa, e, portanto, arriscando que um grande conflito de proporções regionais aconteça antes de finalmente decidir agir”, disseram os especialistas em um comunicado emitido pelo Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) nesta quinta-feira (16).
Segundo a ONU, o conflito civil eclodiu dia 26 de abril, em Bujumbura, capital do Burundi, após a decisão do partido do governo eleger o atual presidente do país, Pierre Nkurunziza, em 25 de abril como seu candidato para concorrer à eleição, até então agendada para 26 de junho.
Nkurunziza já exerceu este cargo por dois mandatos, desde 2005, e muitos atores advertiram que a tentativa de buscar o terceiro mandato era inconstitucional e contrária ao espírito do Acordo de Paz e Reconciliação de Arusha de 2000 para Burundi, que acabou com uma década de guerra civil no país.
A crescente violência no país provocou uma crise humanitária generalizada, com refugiados se espalhando para além das fronteiras de Burundi. Registros mostram que mais de 145 mil pessoas já fugiram para os países vizinhos. As eleições de Burundi, inicialmente previstas para o dia 15 de julho, foram adiadas por seis dias, para 21 de julho, a fim de reduzir os efeitos das tensões.
