Elevado influxo de congoleses para Ruanda preocupa ACNUR

Desde 27 de abril, mais de 5,8 mil pessoas chegaram ao Centro de Trânsito Nkamira fugindo dos conflitos em Kivu do Norte. Local tem capacidade para abrigar 2,6 mil refugiados.

Refugiados congoleses em um dia chuvoso em Ruanda.(ACNUR)Mais de 5,8 mil pessoas que fugiram da província Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, para Ruanda desde 27 de abril. Este influxo sobrecarregou o Centro de Trânsito Nkamira, com capacidade para abrigar 2,6 mil pessoas. A reforma urgente de 19 tendas e a construção de mais 13 possibilitará o atendimento a 5,4 mil pessoas.

O Governo de Ruanda, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros trabalham para providenciar água limpa, sanitários e serviços de saúde básica. Mas se o influxo continuar elevado, haverá falhas críticas na assistência humanitária.

A Vice-Diretora do escritório africano do ACNUR, Liz Ahua, advertiu que “um novo local deve ser encontrado, caso mais refugiados continuem a chegar diariamente”. Ruanda já abriga 55 mil refugiados congoleses em três campos lotados.

A maioria dos que chegam ao Centro é composta por mulheres, crianças e idosos provenientes dos territórios de Masisi e Walikale, onde o conflito entre forças do governo e soldados leais ao ex-comandante rebelde Bosco Ntaganda também deixou cerca de 20 mil deslocados internos.

Entre os refugiados está o adolescente Arsène, de 15 anos, que chegou sozinho a Ruanda. Ele se separou da família na correria para fugir do conflito entre forças do governo e tropas renegadas ao leste do Congo. “Quando os soldados começaram a atirar, eu corri. Pensei que minha família estava acompanhando”, disse.

A família de Sarah também teve de buscar refúgio. Ela estava trabalhando na terra quando o conflito atingiu sua área. “De repente, nossos vizinhos vieram correndo, gritando. Disseram que havia um confronto na região, então corri para casa. Dois de meus filhos haviam desaparecido, não sei para onde fugiram. Peguei meus [outros cinco] filhos, alguns quilos de feijão e fugi”, contou a viúva de 40 anos.