Na Assembleia Geral da ONU, Ban Ki-moon pede negociações de paz para fim de sofrimento em Gaza

O secretário-geral pediu aos 193 países-membros que respondam aos pedidos emergenciais de financiamento de 367 milhões de dólares para a região para reparar os danos causados pelo conflito.

Reunião informal da Assembleia Geral sobre o conflito em Gaza. Foto: ONU/Mark Garten

Reunião informal da Assembleia Geral sobre o conflito em Gaza. Foto: ONU/Mark Garten

Durante o cessar-fogo temporário de 72 horas em Gaza, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se reuniu informalmente com representantes das Nações Unidas na Assembleia Geral, nesta quarta-feira (06) e instou israelenses e palestinos para que voltem à mesa de negociações de paz. Além disso, ele pediu aos 193 países-membros que respondam aos pedidos emergenciais de financiamento humanitário para a região.

“Não podemos descansar, pois o sofrimento continua. Este cessar-fogo trouxe uma realidade que é demasiada grande para aguentar”, disse Ban, ressaltando que a morte massiva e a destruição em Gaza “chocou e envergonhou o mundo”. Apesar de prometer apoio continuo aos esforços de paz, Ban declarou que o ciclo de violência e sofrimento “sem sentido” na região deve acabar.

“Nós temos que continuar assim: construindo e destruindo, construindo e destruindo?”, perguntou o secretário-geral aos presentes na Assembleia. “Vamos construir novamente, mas esta deve ser a última vez”, acrescentou.

Na ocasião, Ban também transmitiu uma mensagem pessoal e direta para os funcionários da ONU que estão trabalhando em Gaza: “Obrigado pela sua coragem. Obrigado por seu sacrifício. Obrigado por salvar vidas”. Além disso, destacou que os ataques contra instalações da ONU, junto com outras suspeitas de violações do direito internacional, devem ser rapidamente investigados.

Outros representantes da ONU reforçam pedido para o fim do conflito em Gaza

Através de uma videoconferência do Cairo, o coordenador especial da ONU para o processo de paz no Oriente Médio, Robert Serry, enfatizou que é necessário mais ação no futuro dos países-membros e do Conselho de Segurança da ONU em relação à Gaza, porém neste momento a responsabilidade primordial de avançar é das partes em conflitos. Neste momento ele se encontra na capital egípcia para coordenar, junto com os mediadores desse país, um encontro entre representantes israelenses e palestinos para negociar uma pausa mais duradoura.

Já a chefe do escritório da ONU para os direitos humanos (ACNUDH), Navi Pillay destacou a necessidade de investigar todos os delitos e fazer com que os responsáveis prestem contas pelos crimes cometidos durante a atual crise na Faixa de Gaza, bem como as operações militares em 2008, 2009 e 2012. “Não pode haver uma verdadeira segurança sem justiça e respeito pelos direitos humanos”, disse Navi Pillay.

“As necessidades são enormes em Gaza. O compromisso internacional significativo e sustentado é necessário”, disse a vice-coordenadora de ajuda emergencial da ONU, Kyung-wha Kang. “As pessoas estão frustradas, pois a comunidade internacional não foi capaz de protegê-las durante os combates. E neste momento, eles estão olhando para nós mais uma vez pedindo ajuda. Não podemos falhar novamente com eles”, acrescentou.

Para atender às necessidades imediatas na Faixa de Gaza como medicamentos, ambulâncias, reparação de água e usinas de energia, comida e abrigos a ONU e seus parceiros pediram 367 milhões dólares à comunidade internacional.