“A reconciliação nacional é uma parte importante da estratégia para derrotar o Da’esh, que impiedosamente explora as divisões e atinge os marginalizados e desfavorecidos”, disse Ban Ki-moon em visita ao país. Ele também se reuniu com representantes do governo regional do Curdistão.

Em Bagdá, da esquerda para a direita: o presidente do Banco Islâmico de Desenvolvimento, Ahmed Mohamed Ali Al-Madani; o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon; e o primeiro-ministro do Iraque, Haider Al-Abadi, chegam para uma coletiva de imprensa no sábado (26). Foto: ONU/Mark Garten
Visitando o Iraque neste sábado (26) pela oitava vez como secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon disse que está impressionado com os progressos realizados, em particular contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante (conhecido como ISIL ou Da’esh), mas advertiu que permanece extremamente preocupado com os “enormes desafios” que o país enfrenta.
“A reconciliação nacional é uma parte importante da estratégia para derrotar o Da’esh, que impiedosamente explora as divisões e atinge os marginalizados e desfavorecidos”, disse Ban em uma coletiva de imprensa após uma reunião com o primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, e com outros representantes do governo.
“Acabamos de ter conversações construtivas […] sobre a segurança, as reformas políticas, econômicas e sociais, bem como a situação humanitária e dos direitos humanos no Iraque”, disse Ban.
A ONU estima que 10 milhões de pessoas necessitam de alguma forma de assistência humanitária, enquanto 3,3 milhões estão internamente deslocados atualmente. O Iraque também está entre os países mais mortais do mundo para os civis; no ano passado, mais de 7,5 mil pessoas foram mortas em atos de terrorismo, violência e conflito armado.
“Reitero o meu apelo aos parceiros regionais e internacionais do Iraque para dar o seu apoio ao governo e aos iraquianos nesta luta. Este apoio deve ser fornecido em plena coordenação e consulta com o governo do Iraque e com respeito à soberania e à integridade territorial do país”, acrescentou.
Ban Ki-moon saudou o povo iraquiano por seus sacrifícios, paciência e resiliência frente a “campanha assassina” do Da’esh, e ofereceu-lhes as suas sinceras condolências pelas “incontáveis vidas perdidas”.
Na sexta (25), um ataque terrorista em Iskanderiyeh, sul de Bagdá, teve como como alvo civis em um estádio de futebol.
“Isso significa que esses terroristas não se importam sobre onde, quando e quem. Isto é totalmente inaceitável e deve ser derrotado em nome da humanidade”, advertiu, acrescentando que o Da’esh submeteu todos os iraquianos, mas particularmente as comunidades minoritárias, ao assassinato, sequestro, estupro e outras formas de violência sexual.
“Ao destruir e saquear propriedades e locais de importância religiosa e cultural, o Da’esh está tentando erradicar a identidade e a unidade do Iraque e seu povo. Cerca de 3,5 mil mulheres, principalmente yazidis, permanecem escravizadas e submetidas a violações horríveis diariamente”, relatou.
Dirigindo-se ao Conselho de Representantes do Iraque, o secretário-geral lembrou que áreas significativas, incluindo Ramadi, foram libertadas do grupo terrorista.
“A bravura das forças de segurança iraquianas, dos Peshmerga (exército curdo), das forças de mobilização popular e dos combatentes tribais é admirável. O Da’esh está perdendo seu apelo para as comunidades do Iraque”, declarou Ban Ki-moon.
O secretário-geral também prestou homenagem ao Parlamento pela sua contribuição na estabilização do Iraque e na construção da paz para o futuro, com a aprovação de leis significativas. Ele pediu que os líderes políticos deem continuidade a seus esforços por uma visão unificada que promova a reconciliação nacional, pedindo que a resposta ao Da’esh, e todas as outras operações de segurança, estejam firmemente vinculadas ao direito internacional, em particular os direitos humanos e o direito humanitário.
Em uma reunião em separado com o presidente da região do Curdistão do Iraque, Massoud Barzani, e o primeiro-ministro do Governo Regional do Curdistão, Nechirvan Barzani, o chefe da ONU expressou seu apreço pelo apoio generoso que o Curdistão tem fornecido a mais de de um milhão de iraquianos deslocados e para os centenas de milhares de refugiados da Síria.
Ele pediu que o Governo Regional do Curdistão “faça todo o possível para garantir a segurança e a dignidade dos civis em situações de conflito, e incentive o retorno voluntário e seguro dos deslocados internos às suas casas, evitando o surgimento de tensões intercomunitárias nas zonas libertadas”.