Em cidade do Iêmen, 200 mil civis estão sitiados e precisam de assistência, alerta ONU

Forças rebeldes e comitês populares bloqueiam acesso de organizações humanitárias a Taiz, cidade iemenita. População precisa de água potável, alimentos e tratamento médico. Subsecretário da ONU solicitou liberação das estradas.

A cidade de Taiz no Iêmen está sob cerco. Cerca de 200 mil pessoas enfrentam necessidades extremas. Foto: OMS Iêmen

A cidade de Taiz no Iêmen está sob cerco. Cerca de 200 mil pessoas enfrentam necessidades extremas. Foto: OMS Iêmen

O subsecretário-geral das Nações Unidas para assuntos humanitários, Stephen O’Brien, informou nesta terça-feira (24) que 200 mil civis estão sitiados em Taiz, no Iêmen. A população enfrenta necessidades extremas e precisa de água potável, alimentos, tratamento médico e outras formas de assistência. Agências da ONU e organizações parceiras não conseguem ter acesso à cidade devido a bloqueios nas estradas por comitês populares e por forças Houthi.

“Apelo a todas as partes (do conflito) para que trabalhem com as Nações Unidas e outras organizações imparciais e neutras a fim de facilitar urgentemente a entrega de assistência e proteção para civis e o acesso seguro e livre de profissionais humanitários a Taiz, sem mais demora”, solicitou O’Brien.

Segundo o subsecretário, a situação da cidade piorou por conta do recrudescimento, desde setembro, dos conflitos no país, onde o governo combate rebeldes Houthi e outras facções há meses. “Bairros civis, instalações médicas e outros estabelecimentos em torno da cidade são continuamente atingidos por bombardeios, ao passo que postos de controle impedem as pessoas de irem para áreas mais seguras e buscarem assistência”, afirmou.

O’Brien descreveu o cerco a Taiz como “inaceitável”. Sitiada, a população não consegue fugir da região, nem receber suprimentos das organizações humanitárias. Alguns caminhões com provisões teriam sido desviados para outras áreas. O subsecretário destacou que os hospitais da cidade que ainda funcionam estão sobrecarregados com pacientes feridos e enfrentam escassez de remédios, combustível e também de médicos e enfermeiros. Desde o final de março, unidades médicas do Iêmen registraram mais de 32,2 mil mortes, muitas delas de civis.