O governo sudanês nega que a operação acontecerá “neste momento”. Operação de Paz da ONU lembra que, caso ocorram buscas, elas devem ser conduzidas respeitando os direitos humanos.

Uma seção do campo Kalma para pessoas deslocadas internamente em Darfur. Foto: UNAMID/Albert González Farran
A Missão das Nações Unidas em Darfur expressou preocupação nesta segunda-feira (03) com os relatos recebidos sobre a intenção do governo do Sudão de conduzir uma operação de segurança de busca dentro de um campo de deslocados internos (IDPs), advertindo que este ato pode causar tensão entre a população civil.
O governo negou estar planejando uma incursão “neste momento”, mas segundo o comunicado de imprensa emitido pela Operação Híbrida da União Africana e da ONU em Darfur (UNAMID), as forças governamentais estariam planejando uma possível batida no acampamento Kalma, perto de Nyala, no Sudão do Sul.
Desde agosto, os deslocados internos do campo de Kalma temem uma intervenção similar a ocorrida em outros acampamentos pelas forças sudanesas. Para mitigar o impacto e reduzir possíveis tensões, a Missão tem tomado medidas preventivas dentro do campo. Entre elas, está a exigência de que caso haja buscas seletivas, elas sejam conduzidas em coordenação com os líderes dos acampamentos e membros da Operação, sempre respeitando os direitos humanos e o direito internacional humanitário.
Representantes da UNAMID também se encontram regularmente como os líderes dos IDPs, incluindo mulheres e jovens, para explicar as medidas que estão sendo tomadas para reduzir o impacto dessas incursões. Além disso, a Missão aumentou a presença de integrantes das forças de paz nas missões de patrulha do campo Kalma, bem como o número de vezes que elas são executadas.
Por outro lado, foi também lembrado aos moradores do acampamento que “a acolhida, ajuda ou cumplicidade com infratores que possuam armas infringe o direito internacional humanitário e que esse armamento não deve ser guardado, manuseado ou traficado dentro dos campos de deslocados internos”.