Após uma visita de dois dias à cidade norte-americana, especialistas da ONU afirmaram que a falta de água afeta principalmente os mais pobres e vulneráveis, cujos serviços foram cortados por falta de pagamento.

Foto: Banco Mundial/Allison Kwesell
“É contra os direitos humanos desligar os serviços de distribuição de água de pessoas que simplesmente não têm recursos para pagá-los”, alertaram duas especialistas independentes da ONU às autoridades de Detroit, nos Estados Unidos, após verificar que cerca de 27 mil famílias ficaram sem acesso a água por falta de pagamento neste ano e o número de cortes de fornecimento na cidade já chega a cerca de 3 mil por semana.
Após uma visita de dois dias a Detroit, a relatora especial para o Direito à Água e ao Saneamento, Catarina de Albuquerque, e a relatora especial para o Direito à Moradia Adequada, Leilani Farha, afirmaram que a falta de água na cidade é de uma “escala sem precedentes” e afeta desproporcionalmente os mais pobres e vulneráveis da população, incluindo um número predominante de afro-americanos.
Desde junho, o Departamento de Água e Esgoto de Detroit tem desligado os serviços de distribuição de água em domicílios que não conseguem pagá-los por dois meses.
Na ocasião, foi destacado que as altas taxas de pobreza e desemprego, bem como as contas de água relativamente caras em Detroit, foram os fatores que levaram que uma parte significativa da população ficasse sem o serviço. Além disso, há relatos sobre repetidos erros nas contas de água que são usados como argumento para os desligamentos.
Até o momento, as medidas tomadas pelas autoridades não têm dado assistência necessária aos afetados, bem como não têm conseguido manter o controle da quantidade de pessoas que estão sem acesso a água. “Todo esforço deve ser feito em todos os níveis do governo para garantir que os mais vulneráveis não sejam expulsos ou percam suas casas, como resultado da falta de água pelo atraso no pagamento do serviço”, concluíram.