Ban Ki-moon convocou o mundo a combater ideologias políticas e religiosas que, ainda hoje, promovem o antissemitismo e outras formas de discriminação. Chefes da UNESCO e do ACNUDH também se pronunciaram.

Em 2013, Ban Ki-moon visitou o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. Foto: ONU / Evan Schneider
No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, celebrado nesta quarta-feira (27), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, emitiu uma mensagem para o mundo e lembrou o que chamou de “crime colossal” contra os judeus e outras minorias. O chefe da ONU convocou a comunidade internacional a denunciar e combater ideologias políticas e religiosas que, ainda hoje, promovem o antissemitismo e a discriminação contra outros grupos, sejam eles étnicos, religiosos ou definidos por aspectos distintos.
“O Holocausto foi um crime colossal. Ninguém pode negar a evidência de que isso aconteceu. Ao lembrar as vítimas e honrar a coragem dos sobreviventes e daqueles que os ajudaram e os libertaram, renovamos anualmente nossa determinação em prevenir tais atrocidades e rejeitar a mentalidade de ódio que as permite”, afirmou Ban Ki-moon.
Durante a Segunda Guerra Mundial, 6 milhões de judeus foram sistematicamente cercados e exterminados. Os nazistas também assassinaram a ciganos, prisioneiros políticos, homossexuais, pessoas com deficiência, testemunhas de Jeová e prisioneiros de guerra soviéticos.
“Da sombra do Holocausto e das crueldades da Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas foram criadas para reafirmar a fé na dignidade e no valor de cada pessoa e para defender os direitos de todos a viver em igualdade e sem discriminação. Estes princípios continuam a ser essenciais hoje. Pessoas em todo o mundo – incluindo milhões que fogem de guerras, perseguições e privações – continuam a sofrer discriminação e ataques. Temos o dever de lembrar o passado – e ajudar aqueles que precisam de nós agora”, disse o dirigente máximo das Nações Unidas.
O chefe da ONU destacou que, por mais de uma década, o Programa de Divulgação das Nações Unidas sobre o Holocausto tem trabalhado para educar os jovens sobre o tema. Muitos parceiros – incluindo sobreviventes do Holocausto – continuam a contribuir para este trabalho essencial. Segundo Ban Ki-moon, a memória do episódio é um poderoso lembrete do que pode acontecer quando deixamos de enxergar a nossa humanidade comum.
“Vamos criar um mundo onde a dignidade é respeitada, a diversidade é celebrada e a paz é permanente”, concluiu o secretário-geral.
Uma cerimônia em memória do Holocausto acontece, nesta quarta-feira (27), na sede da ONU, em Nova York. O evento conta com a participação de representantes das Nações Unidas e da comunidade diplomática. Na ocasião, será feita uma homenagem a Nicholas Winton, que resgatou 669 crianças do Holocausto. Também haverá uma apresentação da Academia Militar dos Estados Unidos, no coral da capela judaica de West Point.
Assista ao pronunciamento do secretário-geral da ONU:
Chefes da UNESCO e do ACNUDH também se pronunciaram a respeito do Dia Internacional
Para a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, “celebrar as vítimas é um dever comum da humanidade”. “É também o desejo de se entender os processos históricos e sociais que desencadearam tal eclosão de violência, com o objetivo de prevenir a sua ocorrência na atualidade”, afirmou. Ela lembrou também das consequências negativas do uso dos meios de comunicação pelos nazistas para disseminar o antissemitismo.
“Sua busca (dos nazistas) por poder e seu controle sobre todos os meios de informação e propaganda possibilitaram que eles legitimassem seus planos radicais de dominação com fundamento na hierarquia de “raças” humanas e na negação da unidade da humanidade. A história do Holocausto nos lembra de que existem palavras que podem matar e de que em cada assassinato em massa, sinais premonitórios precedem a tragédia e a retórica se torna cada vez mais odiosa, uma vez que permanece sem resposta”, afirmou a diretora-geral.
De acordo com Bokova, o uso da informação para a difusão do ódio é uma estratégia utilizada por grupos radicais até hoje. “Atualmente, nós podemos ver isso acontecendo de forma clara no Oriente Médio e em outras regiões do mundo, onde grupos extremistas usam e abusam da internet e de outros meios de comunicação para disseminar sua ideologia criminosa, assim como lideram campanhas de terror contra populações civis e minorias religiosas ou culturais”.
O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, afirmou que “a horrível realidade (do Holocausto) de assassinato em massa planejado e deliberado deve nos levar a uma reflexão profunda sobre as raízes e a disseminação de tal violência”. “Espero que todos nós possamos refletir quanto à necessidade de continuar combatendo o racismo e a intolerância religiosa ou étnica em todas as formas e com toda a nossa força”, disse.
Assista ao depoimento de Tom Hoffman, sobrevivente do Holocausto: