Em mensagem para o Dia Internacional das Pessoas Idosas, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o fim do preconceito etário, afirmando ser necessário que os idosos deixem de ser vistos como um fardo para serem apreciados por suas contribuições à sociedade.
Já o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, defendeu que somente com a redução das desigualdades será possível melhorar as condições de vida dessas pessoas quando chegam à terceira idade.

Ban pediu medidas efetivas de combate à violação dos direitos humanos de pessoas idosas. Foto: EBC
Em mensagem para o Dia Internacional das Pessoas Idosas, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu o fim do preconceito etário, enquanto o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, defendeu a redução das desigualdades ao longo da vida para melhorar as condições dessas pessoas quando chegam à terceira idade.
“O Dia Internacional das Pessoas Idosas é nossa chance de nos posicionarmos contra o problema destrutivo do preconceito etário”, disse Ban sobre a data que este ano cai no sábado (1). “Enquanto se diz que as pessoas idosas são particularmente respeitadas, a realidade mostra que muitas sociedades criam barreiras para elas, negando acesso a empregos, empréstimos e serviços básicos”, completou.
Segundo o chefe da ONU, a marginalização e a desvalorização das pessoas idosas provocam profundos estragos nas sociedades, minando sua produtividade, restringindo a capacidade dessas pessoas de apoiar financeiramente suas famílias e comunidades. “O preconceito de idade frequentemente interage com outras formas de discriminação baseada em gênero, raça, deficiência e outras, misturando e intensificando seus efeitos”, declarou.
Ban lembrou que a população global de idosos deve subir de cerca de 900 milhões em 2015 para 1,4 bilhão em 2030 e para 2,1 bilhões em 2050, quando haverá aproximadamente o mesmo número de idosos e crianças com menos de 15 anos. Nesse cenário, pediu medidas efetivas de combate à violação dos direitos humanos de pessoas idosas, e demandou uma “mudança na forma como os idosos são representados e percebidos” na sociedade. “É necessário que deixem de ser vistos como um fardo para serem apreciados por muitas contribuições positivas que dão para nossa família humana”.
“Também peço mais garantias legais (…) para evitar que o preconceito etário resulte em políticas, leis e tratamento discriminatórios”, afirmou, completando que devemos rejeitar todas as formas de preconceito etário e trabalhar para permitir que os idosos realizem seu potencial, “enquanto honramos nossa promessa de construção de uma vida de dignidade e direitos humanos para todos”.
Envelhecimento da população
Para o diretor-executivo do UNFPA, Babatunde Osotimehin, o envelhecimento populacional é uma das tendências mais significativas do século 21, representando tanto um motivo de comemoração como um desafio. “Para garantir que o bem-estar de todos melhore ao longo dessa mudança demográfica, mais esforços são necessários para minimizar as desigualdades durante a vida e melhorar as condições dos mais velhos”, disse.
Segundo ele, a maior parte do crescimento projetado da população idosa para os próximos anos deve ocorrer nos países em desenvolvimento. A Ásia abriga mais da metade da população mundial de 901 milhões de idosos, com 508 milhões de pessoas acima de 60 anos. Outros 177 milhões de idosos moram na Europa, 75 milhões na América do Norte, 71 milhões na América Latina e no Caribe, 64 milhões na África e 6 milhões na Oceania.
“O envelhecimento da população pode potencialmente ser uma força socialmente perturbadora, enquanto as desigualdades sociais tendem a ser ampliadas na terceira idade”, disse o chefe do UNFPA, completando que os homens mais velhos recebem, em média, 68% mais que as mulheres, por terem mais tempo de emprego formal e salários mais altos. “Esse fato é particularmente importante tendo em vista que a população idosa é formada predominantemente por mulheres”.
Para o chefe do UNFPA, os esforços de redução das desigualdades começam na infância, com partos seguros, e continuam com uma boa nutrição infantil e escolas excelentes. “Demandam garantir que a saúde sexual e reprodutiva e os direitos sejam universais, que a igualdade de gênero seja garantida, que a proteção social e a segurança de renda se estenda às pessoas idosas, e que a saúde seja transferida às gerações mais jovens”, salientou.
A agência da ONU também destacou que a discriminação etária no local de trabalho pode ser uma crescente preocupação em países onde a expectativa de vida e a boa saúde encorajam os mais velhos a se manter trabalhando, especialmente se o desemprego entre os jovens for alto.
“As sociedades precisam alterar suas expectativas sobre a idade natural de aposentadoria, assim como sobre o papel público e privado dos idosos, enquanto eles permanecem cada vez mais ativos”, declarou. “O envelhecimento populacional é uma força transformadora em todos os países que irá testar as estruturas existentes de nossas economias, lares e sociedades. Trabalhemos juntos para garantir que todas as pessoas possam envelhecer com dignidade e aproveitar uma vida de contribuição, integração e bem-estar.”