Em Dia Internacional, UNESCO lembra contribuição dos povos indígenas para o desenvolvimento

“Este dia é uma oportunidade para que todos possam mobilizar-se com o objetivo de preencher as lacunas que restam para o cumprimento dos direitos dos povos indígenas”, disse Irina Bokova.

Representantes dos povos indígenas durante protesto na Rio+20, em 2012. Foto: ONU/Nicole Algranti

Em sua mensagem por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado em todo o mundo neste sábado, 9 de agosto, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, destacou a importância de todos reconhecerem a contribuição vital dos povos indígenas para a inovação, a criatividade, o desenvolvimento sustentável e a diversidade cultural.

“Este dia é uma oportunidade para que todos possam mobilizar-se com o objetivo de preencher as lacunas que restam para o cumprimento dos direitos dos povos indígenas. Isso é essencial, na medida em que moldamos a nova agenda de desenvolvimento pós-2015”, disse Bokova.

Ao citar o 5º Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, ela destacou que a “visão holística dos povos indígenas sobre comunidade e meio ambiente é um grande recurso para a adaptação às alterações climáticas”. Bokova também lembrou a contribuição positiva do conhecimento local e indígena no enfrentamento aos desafios ambientais.

Ainda em sua mensagem especial, a diretora-geral da UNESCO destacou que, em setembro, a Assembleia Geral da ONU sediará a Conferência Mundial sobre Povos Indígenas, que irá revisar o progresso do cumprimento dos direitos dos povos indígenas e os esforços para implementação da Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas de 2007.

Marcando a data, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que os povos indígenas têm um interesse central no desenvolvimento e podem agir como “poderosos agentes de progresso”.

“Para que possam contribuir para o nosso futuro comum, temos de garantir os seus direitos”, disse Ban Ki-moon em sua mensagem para o dia, acrescentando: “Vamos reconhecer e celebrar as identidades valiosas e distintas dos povos indígenas em todo o mundo. Vamos trabalhar ainda mais para capacitá-los e apoiar as suas aspirações”.

“Injustiças históricas, muitas vezes, resultaram na exclusão e na pobreza”, disse Ban Ki-moon, acrescentando que as estruturas de poder continuam a criar obstáculos ao direito dos povos indígenas à sua autodeterminação.

Há cerca de 370 milhões de indígenas em cerca de 90 países em todo o mundo, que constituem 15% das pessoas em situação de pobreza do mundo e cerca de um terço dos 900 milhões de camponeses extremamente pobres do mundo. Praticando tradições únicas, eles mantêm características sociais, culturais, econômicas e políticas que são distintas daquelas das sociedades dominantes em que vivem.