Para marcar mais um Dia Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lembrado no dia 25 de cada mês, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) promoveu na segunda-feira, em Brasília, uma roda de conversa sobre a discriminação enfrentada por pessoas trans no ambiente de trabalho. Um exemplo comum, mas que com frequência suscita dúvidas e pode causar constrangimentos, é o de qual banheiro indicar para um indivíduo transexual.

OPAS promoveu debate sobre desafios da população trans no Dia Laranja. Foto: OPAS
Para marcar mais um Dia Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres, lembrado no dia 25 de cada mês, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) promoveu na segunda-feira, em Brasília, uma roda de conversa sobre a discriminação enfrentada por pessoas trans no ambiente de trabalho. Um exemplo comum, mas que com frequência suscita dúvidas e pode causar constrangimentos, é o de qual banheiro indicar para um indivíduo transexual.
“Na dúvida, pergunte. Nunca suponha”, explicou Angela Pires Terto, assessora de direitos humanos da ONU no Brasil. “Se a pessoa pergunta qual o banheiro, é só dizer ‘o banheiro masculino é ali e o feminino é aqui’ ou ‘os banheiros estão ali’. Deixe que a pessoa escolha. Isso vale para a forma de tratamento também. Na dúvida, pergunte: qual seu nome, qual pronome você prefere?”, acrescentou.
Participantes também discutiram como o nome social — a forma pela qual as pessoas trans devem ser chamadas cotidianamente, mesmo que seja diferente do nome oficialmente registrado — pode ser um problema em áreas administrativas. No Brasil, por exemplo, só é possível comprar uma passagem de avião utilizando o nome que consta no registro civil, mas as pessoas sempre devem ser indicadas e abordadas em e-mails ou pessoalmente pelo nome social.
Segundo a estudante e ativista trans Melissa Massayury, chamar uma pessoa transexual pelo nome do registro civil pode machucar. “Aquele nome vai me distanciar de tudo que é do gênero feminino”, afirma.
A professora e ativista trans Wanda Araújo falou sobre a resistência que certos indivíduos têm em chamar pessoas trans pelo nome social. “Diversas pessoas usam nomes sociais, como Silvio Santos, Tiririca. E em nenhum momento, você vê pessoas expondo o nome deles de forma intencionalmente vexatória. Você vê só por curiosidade”.
Também presente no encontro, a diretora adjunta da OPAS no Brasil, María Dolores Pérez-Rosales, afirmou que a agência regional está atenta aos desafios da população LGBTI. “Este é um espaço para troca de ideias, para fomentar a reflexão e o debate sobre as questões de identidade de gênero e orientação sexual relacionadas ao nosso trabalho”, disse.
Dia Laranja
No dia 25 de cada mês, a equipe da OPAS se veste de laranja para lembrar sua adesão à iniciativa global “Torne o Mundo Laranja”, da campanha Una-se pelo Fim da Violência contra as Mulheres. Esse tipo de violência abrange tanto as desigualdades de gênero enfrentadas por mulheres, quanto práticas discriminatórias e nocivas geradas pelo preconceito por orientação sexual e identidade de gênero.