Em entrevista à Rádio ONU, general brasileiro fala dos desafios da força de paz no Haiti

O militar, que lidera o contingente com 2.370 homens, conta porque mais da metade da força de paz já saiu do país e fala de sua preocupação com a assistência aos haitianos, após uma eventual saída das tropas.

A bandeira do Brasil junto com a bandeira da ONU e a do Haiti na MINUSTAH. Foto: ONU/Audrey Goillot

A bandeira do Brasil junto com a bandeira da ONU e a do Haiti na MINUSTAH. Foto: ONU/Audrey Goillot

A Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH) está em fase de transição. De novembro a junho passados, metade do contingente deixou a região, que conta agora com 2.370 boinas-azuis.

Em entrevista à Rádio ONU, em Porto Príncipe, o general brasileiro José Luiz Jaborandy Jr., que comanda o componente militar da força de paz das Nações Unidas desde 15 de março de 2014, conta porque mais da metade do contingente foi retirado e fala de sua preocupação com a assistência aos haitianos após uma eventual saída das tropas.

Neste momento de campanha para as eleições legislativas de 9 de agosto, a atenção da força de paz vai também para o impacto da criminalidade e da ação de gangues.

“Os ambientes, as situações, as aproximações e a doutrina são completamente diferentes entre o Haiti e o Brasil. Em algumas partes do Brasil, temos realidades muitas parecidas a do Haiti, é verdade. A realidade da criminalidade, da falta de infraestrutura, do povo pobre, da instalação e do domínio da criminalidade. Mas as situações são completamente distintas, apesar das possíveis semelhanças em termos de violência e criminalidade”, afirmou.

Na entrevista, o general também revelou como a experiência de atuação no país será aproveitada se houver uma decisão de retirada das tropas brasileiras.

“Seres humanos aperfeiçoados com o coração e a mente elevados. Então, o Brasil só ganhou. Para nós militares, foi possível desenvolver e experimentar uma doutrina própria. Essas doutrinas de missão de paz, essa forma de lidar com os problemas, aqui no Haiti, foram desenvolvidas no Brasil e foram experimentadas aqui.”

Ouça a entrevista – em duas partes – com o general José Luiz Jaborandy Jr. clicando aqui e aqui.