Os jovens foram levados pela polícia em novembro de 2014 e seu paradeiro continua desconhecido. Parentes assumiram o papel de porta-vozes dos 30 mil casos de pessoas desaparecidas no México.

Familiares dos estudantes desaparecidos em Iguala, México, compareceram a sessão do Fórum para pedir justiça. Foto: ONU/Rocio Franco
Parentes dos 43 estudantes desaparecidos em Iguala, México, pediram nesta quarta-feira (22) aos participantes do Fórum Permanente da ONU sobre Questões Indígenas reunidos na sede da ONU em Nova York (EUA) que recomendem ao México retomar e ampliar as investigações sobre o caso, bem como o esclarecimento do ocorrido nos dias 26 e 27 de novembro de 2014.
Clamando por justiça para os autores desse crime, os familiares também denunciaram a violação sistemática dos direitos humanos das comunidades indígenas no México, às quais a maioria dos estudantes pertencia.
Mãe do estudante José Eduardo, María de Jesús Tlatempa Bello deu voz à aflição dos familiares, que mesmo após cinco meses da tragédia ainda desconhecem as razões do desaparecimento e o paradeiro de seus entes queridos.
“Estamos muito mal porque não sabemos por quê fizeram isso com eles. Houve tiroteio, repressão contra nossos filhos. Nos sentimos muito mal. Que foi que aconteceu? Que ocorreu com eles? Onde estão nossos filhos? Por que foram policiais que levaram os 43 estudantes detidos, futuros professores?”, disse.
Cruz Bautista, tio do estudante Benjamín Ascencio Bautista, afirmou que no México há 30 mil pessoas desaparecidas e que os parentes dos estudantes assumiram o papel de “porta-vozes de todos aqueles que ficaram impunes”.
“Não vamos permitir que o que aconteceu com os estudantes em Ayotzinapa permaneça impune. Queremos que se esclareçam os fatos e que se puna os verdadeiros culpados.”
Os familiares também pediram ao Fórum para solicitar ao relator da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas que elabore um relatório sobre o desaparecimento forçado no México, a privação ilegal de liberdade, a falta de legislação e sanções contra a tortura, e os direitos das comunidades indígenas.