Em Lima, ministros discutem desafios para reduzir pobreza e desigualdade na América Latina e Caribe

Com apoio da CEPAL, PNUD e governo do Peru, conferência Regional sobre Desenvolvimento Social na América Latina e Caribe, que acontece em Lima, Peru, discute como colocar em prática os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotados por líderes mundiais em setembro de 2015.

Luis, de apenas um ano de idade, e sua mãe, Maria Broncano Mejia, indígenas quechua que vivem na comunidade andina de Llacuash, no Peru. Foto: UNICEF/Roger LeMoyne

Luis, de apenas um ano de idade, e sua mãe, Maria Broncano Mejia, indígenas quechua que vivem na comunidade andina de Llacuash, no Peru. Foto: UNICEF/Roger LeMoyne

Mais de trinta ministros e ministras da área de Desenvolvimento Social da América Latina e do Caribe estão reunidos em Lima, capital do Peru, entre os dias 2 e 4 de novembro, para discutir como continuar reduzindo a pobreza e a desigualdade, em um momento em que os países começam a colocar em prática os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotados por líderes mundiais em setembro de 2015.

As autoridades da região participam da Conferência Regional sobre Desenvolvimento Social da América Latina e Caribe, uma das primeiras reuniões de alto nível orientadas ao desenvolvimento social nas regiões depois da adoção dos ODS. A conferência foi convocada pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe da ONU (CEPAL), pelo governo do Peru e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

“O crescimento econômico por si só não vai reduzir a desigualdade”, disse o presidente do Peru, Ollanta Humala, na abertura da conferência. “Para erradicar verdadeiramente a pobreza, devemos ir além dos aspectos iniciais, nos centrar nas avaliações multidimensionais que ajudam a não deixar nada de fora.”

Depois de uma década de crescimento econômico e redução da pobreza, o que significou a ascensão de 92 milhões de pessoas a uma classe média emergente entre 2003 e 2013, a região está enfrentando taxas de crescimento mais lentas e a recaída na pobreza de alguns segmentos da população.

Nesse contexto, no primeiro dia do encontro, os participantes discutiram como converter a recém-acordada Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável – incluindo os ODS – em realidade, o que requer novas formas de pensar e assumir compromissos complexos, como enfrentar a exclusão e a desigualdade.

“Uma característica definidora da Agenda 2030 é a determinação de não deixar ninguém para trás”, afirmou a administradora mundial do PNUD, Helen Clark. “Este apelo demanda que trabalhemos juntos para identificar e abordar as raízes profundas da exclusão, nesta região e em outras. A erradicação da pobreza somente terá êxito quando investirmos nas pessoas. O crescimento precisa ser tanto inclusivo quanto sustentável.”

“A América Latina e o Caribe ainda não adotaram uma agenda de transformação social que favoreça a mudança de uma cultura de privilégio para um ambiente em que direitos iguais permitam um sentido pertencimento em uma sociedade mais integrada”, disse a secretária executiva da CEPAL, Alicia Bárcena. Para ela, as estratégias de superação da pobreza devem considerar três eixos fundamentais: transferência de renda para o alívio imediato das carências; acesso a serviços públicos de qualidade; e inclusão laboral produtiva.

Durante a conferência, a CEPAL apresenta aos ministros e ministras os principais resultados do estudo “Desenvolvimento social inclusivo: uma nova geração de políticas para superar a pobreza e a desigualdade na América Latina e no Caribe”, que identifica progressos e desafios e fornece diversas recomendações em termos de política públicas. Um dos avanços destacados no informe é o aumento do gasto público social na região, que passou de 13% do PIB em 1990 para 19,1% em 2013.

Apesar do progresso significativo na redução da pobreza na última década, aproximadamente 167 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe ainda vivem na pobreza, segundo a CEPAL. A maioria mora em zonas rurais com acesso limitado aos níveis mais elevados de educação e formação profissional.

As mulheres estão desproporcionalmente afetadas: aproximadamente 35% dos pobres vivem em lares que têm mulheres como chefe de família, segundo dados que serão publicados no próximo Relatório de Desenvolvimento Humano do PNUD para América Latina e Caribe sobre progresso multidimensional, que oferecerá ferramentas de políticas essenciais para uma região com um legado de discriminação baseada em classe, raça e gênero. Saiba mais sobre este encontro clicando aqui.