Quase 7 milhões de pessoas foram afetadas até o momento por combates que já duram mais de dois anos, com um saldo de pelo menos 80 mil mortos. Apelo humanitário é de US$ 4,4 bi.
Quase 7 milhões de pessoas foram afetadas até o momento por combates que já duram mais de dois anos, com um saldo de pelo menos 80 mil mortos. Apelo humanitário é de US$ 4,4 bi.

Família síria sendo registrada como refugiados em Wadi Khaled, norte do Líbano. Foto: ACNUR/F. Juez
A ONU lançou nesta sexta-feira (7) um apelo humanitário de 4,4 bilhões de dólares – o maior pedido de ajuda da história da Organização – para apoiar o crescente número de pessoas que sofrem os efeitos da crise na Síria. Os conflitos tiveram início há mais de dois anos com manifestações pacíficas, mas desde então se transformou em um conflito sangrento e devastador.
“Esperávamos que não teria que fazê-lo novamente, mas hoje nós estamos pedindo 4,4 bilhões de dólares para 2013”, disse a subsecretário-geral da ONU para assuntos humanitários, Valerie Amos, em uma coletiva de imprensa conjunta com outros funcionários do alto escalão da ONU, em Genebra.
“Isso é mais do que a metade do total combinado de todos os outros recursos que cobrem 16 países, do Afeganistão até a Somália”, disse ela.
O recurso, revisto dos 1,5 bilhão de dólares de janeiro, abrange atividades de socorro para dois planos, na Síria e nos países vizinhos.
Dos 4,4 bilhões, 1,4 bilhão de dólares foram pedidos para apoiar atividades dentro da Síria, onde a ONU atua de forma emergencial desde o início do conflito. Os demais 3 bilhões serão para ajuda essencial e proteção aos refugiados em toda a região. Até agora, apenas 1,2 bilhão de dólares foram recebidos.

Coordenadora de ajuda de emergência, Valerie Amos, durante coletiva de imprensa. Ela anunciou o maior apelo humanitário da história da ONU. Foto: ONU/Violaine Martin
Além disso, os governos do Líbano e da Jordânia estão buscando 450 e 380 milhões de dólares, respectivamente, para apoiar os esforços e prestar serviços como educação e saúde para os refugiados que estão agora em seus países.
“Nós estimamos que 6,8 milhões de pessoas agora precisam de ajuda urgente. Isso significa um a cada três sírios que necessitam de assistência humanitária urgente”, disse Amos, acrescentando que, entre janeiro e abril, o número de pessoas deslocadas na Síria mais do que duplicou. “Estes números são enormes, mas esses números mascaram uma tragédia humana.”
Desde março de 2011, os combates entre o governo sírio e as forças de oposição que buscam derrubar o presidente Bashar Al-Assad já deixaram um saldo de mais de 80 mil pessoas mortas. Além disso, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) estima que cerca de 1,6 milhão de sírios fugiram de seu país para escapar de conflitos, observando que este número cresce rapidamente.