Em meio a nova onda de violência em Gaza, chefe da ONU volta a pedir cessar-fogo duradouro

Negociações no Cairo foram interrompidas após quebra do cessar-fogo. Segundo a ONU, 459 crianças palestinas já morreram desde o início das hostilidades.

Negociações no Cairo foram interrompidas após quebra do cessar-fogo. Segundo a ONU, 459 crianças palestinas já morreram desde o início das hostilidades.

O UNICEF está realizando atividades psicossociais com as crianças atingidas pelo conflito, a ampla maioria palestina. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

O UNICEF está realizando atividades psicossociais com as crianças atingidas pelo conflito, a ampla maioria palestina. Foto: UNICEF/Eyad El Baba

Em meio a uma nova onda de violência que pôs fim ao último cessar-fogo em Gaza, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, expressou “grave decepção” com o retorno das hostilidades e instou as partes a “chegar a um entendimento imediato sobre um cessar-fogo duradouro que também aborde as questões subjacentes”.

Segundo os relatos mais recentes da imprensa internacional, ataques aéreos de Israel mataram 11 pessoas em Gaza, incluindo a esposa e o bebê de um líder militar do Hamas. Segundo a imprensa, o Hamas disparou foguetes contra Tel Aviv e Jerusalém, sem causar vítimas.

Em comunicado divulgado na terça-feira (19) por seu porta-voz, em Nova York, o secretário-geral da ONU condenou veementemente a violação do cessar-fogo humanitário mediado pelo governo do Egito que deveria expirar à meia-noite da terça, horário local. As negociações foram interrompidas pelas partes.

“Ele está seriamente decepcionado com o retorno às hostilidades”, disse o comunicado, acrescentando que Ban Ki-moon lembrou a ambos os lados sobre suas responsabilidades de não deixar a situação se agravar.

“As esperanças da população em Gaza por um futuro melhor e as esperanças das pessoas em Israel para a sustentabilidade da segurança repousam nos diálogos no Cairo. O secretário-geral apela às delegações para responderem a estas expectativas”, concluiu Ban.

A UNRWA espera e está se preparando para que entre 65 a 70 mil palestinos permaneçam em suas escolas em Gaza, pois muitos perderam suas casas na recente escalada de violência. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

A UNRWA espera e está se preparando para que entre 65 a 70 mil palestinos permaneçam em suas escolas em Gaza, pois muitos perderam suas casas na recente escalada de violência. Foto: UNRWA/Shareef Sarhan

Militares de Israel disseram ter realizado 60 ataques aéreos na Faixa de Gaza desde que as hostilidades foram retomadas, na terça-feira (19), e que os palestinos lançaram mais de 80 foguetes, alguns interceptados pelo sistema antimísseis israelense. A violência encerrou um período de calma que já durava 10 dias, o mais longo no conflito desde que Israel lançou sua ofensiva contra Gaza, em 8 de julho.

Segundo o último boletim do Escritório da ONU de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), 1.976 palestinos morreram desde o início da ofensiva militar de Israel, incluindo 459 crianças e 239 mulheres. Do lado israelense, três civis e 64 soldados foram mortos.

No total, cerca de 380 mil palestinos estão deslocados, abrigados em instalações da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), do governo local ou em casas de famílias acolhedoras. O custo total de perdas somente no setor de água é estimado pela ONU em 34 milhões de dólares.

A pausa humanitária havia permitido que agências da ONU como a UNRWA, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) intensificassem a ajuda humanitária à população de Gaza, estimada em 1,8 milhão de pessoas.