Tensões levaram mais de 200 mil burundianos a fugir. Em meio a uma epidemia no principal campo de refugiados, na Tanzânia, ACNUR apela por 207 milhões de dólares para atividades de proteção e assistência básica.

O ACNUR está transportando água limpa como uma das respostas à epidemia de cólera na área de Kagunga da Tanzânia. Foto: ACNUR / B. Loyseau
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou nesta sexta-feira (22) esperança com o diálogo político em curso no Burundi, após semanas de disputas políticas que levaram mais de 200 mil burundianos a fugirem do país. Ban elogiou o progresso alcançado até o momento pelos representantes da sociedade civil, partidos políticos, organizações religões e outros grupos, “especialmente nas medidas para reduzir as tensões e criar condições propícias para a realização de eleições livres, justas, inclusivas e pacíficas.”
A agência de refugiados das Nações Unidas conduziu nesta sexta-feira (22) uma chamada para proporcionar proteção e assistência para até 200 mil refugiados burundianos que fugiram para países vizinhos em meio a contínua turbulência política, violência e intimidação no Burundi. O apelo vem em meio a uma epidemia de cólera que já matou 31 pessoas na região de Kigoma do Lago Tanganyika, na Tanzânia, onde muitos dos refugiados se encontram.
“O Burundi não precisa de outra crise”, disse o alto comissário da ONU para Refugiados, António Guterres, referindo-se à guerra civil do Burundi que durou de 1993 a 2005 e gerou centenas de milhares de refugiados. “Depois do progresso alcançado através dos acordos de paz de Arusha, é de partir o coração que as pessoas tenham de abandonar o seu país de novo”.
Desde o início de abril, cerca de 100 mil burundianos fugiram através das fronteiras, buscando segurança nas vizinhas Ruanda, Tanzânia e República Democrática do Congo. Para responder a este êxodo, o escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), juntou-se com 17 parceiros para o lançamento do Plano de Resposta Regional para os Refugiados.
Guterres elogiou os países vizinhos por manterem as suas fronteiras abertas e apelou à comunidade internacional de doadores apoio ao Plano de Resposta Regional para os Refugiados. Através dele, as agências participantes apelam por 207 milhões de dólares para as atividades de proteção e assistência básica até setembro de 2015, quando o plano será revisto.