Após tentativa malsucedida de golpe de Estado e em meio a protestos populares, autoridades burundinesas devem garantir a proteção dos civis, diz chefe de direitos humanos das Nações Unidas.

Burundineses fugindo da violência pré-eleitoral descansam nas margens do Lago Tanganyika na República Democrática do Congo. Mais de 100.000 burundeses fugiram durante o mês passado. Foto: ACNUR / F. Scoppa
O chefe de direitos humanos da ONU manifestou nesta sexta-feira (15) preocupação com a situação no Burundi nos últimos dois dias após relatos de uma tentativa de golpe de Estado na capital do país e cobrou todas as forças armadas e os grupos não estatais que se abstenham de ações que possam pôr em perigo os civis.
“Estou profundamente preocupado com a situação extremamente tensa no Burundi. Estamos recebendo mensagens alarmantes de defensores de direitos humanos e jornalistas temendo por sua segurança”, declarou em comunicado o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos Zeid Ra’ad Al Hussein. “Exorto as autoridades do Burundi a assegurarem a sua proteção e garantias que não haverá represálias ilegais após o malsucedido golpe de quarta-feira”.
A tentativa de golpe de Estado na capital burundinesa, Bujumbura, aconteceu nesta quarta-feira (13) depois que o presidente Pierre Nkurunziza deixou o país para a Cúpula da Comunidade do Leste Africano, na Tanzânia, com a esperança de resolver a crise política de longa data. Mas os relatos afirmam que Nkurunziza já recuperou o controle do governo.
As tensões aumentaram no Burundi desde que eclodiram os protestos populares depois do partido no governo, o Conselho Nacional do país para a Defesa da Democracia – Forças para a Defesa da Democracia (CNDD-FDD), nomear Nkurunziza como seu candidato presidencial para um terceiro mandato.
Zeid se soma secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que pediu na quinta-feira (14) que os líderes políticos e de segurança rejeitem de forma clara e aberta o recurso à violência, a abstenham-se de atos de vingança e contenham seus militantes. No início desta sexta-feira (14), Ban conversou com o presidente Uhuru Kenyatta do Quênia sobre a situação no Burundi e enfatizou a necessidade dos líderes da região juntarem esforços para ajudar a resolver a crise no país.
O chefe de direitos humanos também demonstrou preocupação que a instabilidade política resulte em uma crise humanitária ainda maior em meio ao crescente número de refugiados deixando o país. A agência de refugiados da ONU (ACNUR) observou que mais de 105 mil pessoas já fugiram do país, com 70.187 na vizinha Tanzânia, Ruanda e 26.300 em 9183 para a província de Kivu do Sul, na República Democrática do Congo.