Em mensagem audiovisual para povo do Sudão do Sul, chefe da ONU pede saída pacífica para conflito

Conselho de Segurança reforça Missão da ONU com mais 5.500 soldados e 440 policiais, quase dobrando sua capacidade. Instalações das Nações Unidas abrigam cerca de 58 mil civis.

Conselho de Segurança reforça Missão da ONU com mais 5.500 soldados e 440 policiais, que conta atualmente com cerca de 7 mil pessoas. Instalações das Nações Unidas abrigam cerca de 58 mil civis.

Mulheres em Aweil, no estado de Bahr el Ghazal do Norte, recolhem água de uma fonte nas proximidades para irrigar seus campos. A FAO distribui bombas de pedal para facilitar este tipo de trabalho e permitir que as comunidades produzam mais. Foto: ONU no Sudão do Sul

Mulheres em Aweil, no estado de Bahr el Ghazal do Norte, recolhem água de uma fonte nas proximidades para irrigar seus campos. A FAO distribui bombas de pedal para facilitar este tipo de trabalho e permitir que as comunidades produzam mais. Foto: ONU no Sudão do Sul

Em um apelo transmitido em vídeo e pelo rádio na última quarta-feira (25) no Sudão do Sul, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, renovou seu apelo a lideranças locais para resolver suas diferenças pacificamente e se comprometeu a ajudar a pôr fim na violência que tem assolado a nação mais jovem do mundo ao longo dos últimos 10 dias.

“Eu quero lhes garantir que a ONU está com o povo do Sudão do Sul neste momento difícil”, disse Ban Ki-moon, em sua mensagem audiovisual.

A escalada de violência levou a centenas de mortes e o deslocamento de pelo menos 90 mil pessoas no país, que se tornou independente há dois anos depois de secessão do Sudão. O conflito tem sido cada vez mais marcada por denúncias de violência étnica.

“Nós sabemos que muitos de vocês estão sofrendo com ataques horríveis. As famílias estão fugindo de suas casas. Muitos de vocês perderam entes queridos e estão de luto. Civis inocentes estão sendo alvo por causa de sua etnia. Esta é uma grave violação dos direitos humanos”, disse Ban Ki-moon.

“O Sudão do Sul está sob ameaça – mas o Sudão do Sul não está sozinho”, frisou.

Ban Ki-moon pediu aos líderes do país para resolver suas diferenças de forma pacífica e ressaltou sua responsabilidade de proteger os civis. “Eu alertei a todos responsáveis por crimes que eles serão responsabilizados.”

Conselho de Segurança reforça missão de paz

Membros do Conselho de Segurança autorizam quase dobrar a força de paz da ONU no Sudão do Sul, para quase 14 mil pessoas. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Membros do Conselho de Segurança autorizam quase dobrar a força de paz da ONU no Sudão do Sul, para quase 14 mil pessoas. Foto: ONU/Paulo Filgueiras

Na terça-feira (24), o Conselho de Segurança da ONU, adotando as recomendações de Ban, reforçou as tropas da Missão da ONU no Sudão do Sul (UNMISS), que atualmente abriga em suas instalações cerca de 58 mil civis que fugiram da violência.

Numa resolução adotada por unanimidade, o Conselho autorizou um aumento temporário de mais 5.500 soldados e 440 policiais, bem como o reforço da capacidade de mobilidade aérea da Missão, que conta atualmente com cerca de 7 mil funcionários.

Ban Ki-moon observou que, mesmo com o suporte contínuo, o fortalecimento das capacidades de proteção da UNMISS não vai acontecer do dia para a noite. “Mesmo com recursos adicionais, não vamos ser capazes de proteger todos os civis em necessidade no Sudão do Sul”, afirmou após a ação do Conselho. “As partes têm a responsabilidade de acabar com o conflito.”

Também na última quarta-feira (25), as agências de ajuda humanitária afirmaram que precisam de 166 milhões de dólares até março de 2014 para atender às necessidades imediatas das pessoas, como resultado da crise atual. Isso inclui programas de emergência para cerca de 200 mil refugiados sudaneses nos estados sul-sudaneses de Unity e do Upper Nile.

Os recursos serão usados para fornecer água potável e saneamento, saúde, bem como para distribuir assistência de abrigo e alimentação, de acordo com um comunicado à imprensa divulgado pelo Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA).

Os recursos também garantirão que os direitos das pessoas vulneráveis, incluindo dos sobreviventes da violência, sejam melhor protegidos. O dinheiro será usado para gerenciar locais para pessoas deslocadas e transportar trabalhadores humanitários e suprimentos para locais estratégicos onde as comunidades estão em maior risco.

“Este é um momento extremamente difícil para as pessoas desta nova nação, e é fundamental que as agências humanitárias tenham os recursos necessários para salvar vidas nos próximos meses”, disse Toby Lanzer, coordenador humanitário da ONU no Sudão do Sul.

“Há pelo menos 90 mil pessoas que foram deslocadas nos últimos 10 dias. Isto inclui 58 mil pessoas que estão abrigadas em bases de paz da ONU, um número que representa apenas uma parte de todas as pessoas que precisamos alcançar nas próximas semanas.”