Em resolução apoiada por 133 países, Assembleia Geral da ONU pede fim imediato da violência na Síria

A resolução, apresentada pelo Grupo Árabe, foi adotada por uma votação de 133 votos a favor e 12 contra, com 31 abstenções. O Brasil votou a favor do texto.

Em média, o Líbano recebe mais de 500 refugiados sírios por hora. Recém-chegados têm se dirigido a cidades como Trípoli, no norte do Líbano. Foto: ACNUR/F. Juez

Enquanto os conflitos na Síria continuam, a Assembleia Geral da ONU aprovou hoje (3) uma resolução condenando o aumento do uso de armas pesadas pelas autoridades e pedindo a todos os lados para que cessem imediatamente a violência armada.

A resolução, apresentada pelo Grupo Árabe, foi adotada por uma votação de 133 votos a favor e 12 contra, com 31 abstenções. O Brasil votou a favor do texto. O texto foi aprovado duas semanas após o Conselho de Segurança não ter conseguido chegar a um acordo sobre a ação coletiva para ajudar a parar o derramamento de sangue no país.

O documento aprovado hoje condena “o uso crescente pelas autoridades sírias de armas pesadas, incluindo bombardeio indiscriminado de tanques e helicópteros em centros populacionais e a falha em retirar as suas tropas e as armas pesadas para os seus quartéis…”

O órgão de 193 membros da ONU também condenou a violência “independentemente de onde ela venha”, e exigiu que todas as partes implementem as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU, como forma de dar um fim à violência armada em todas as suas formas.

Ban lamenta divisão que “paralisa” Conselho de Segurança

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, mais uma vez expressou seu pesar sobre as divisões que paralisaram a ação no Conselho de Segurança da ONU, acrescentando que os interesses imediatos do povo sírio devem prevalecer sobre quaisquer rivalidades de influência. “O conflito na Síria é um teste de tudo o que esta Organização representa”, disse ele na reunião. “Eu não quero que as Nações Unidas de hoje falhem nesse teste.”

Ban alertou que, apesar das repetidas aceitações verbais do plano de seis pontos apresentado pelo Enviado Especial Conjunto da ONU e da Liga dos Estados Árabes para a crise síria, Kofi Annan, tanto o Governo quanto a oposição continuam a confiar mais nas armas, e não na diplomacia, na crença de que vão ganhar por meio da violência.

Além disso, a cidade de Aleppo é atualmente o epicentro de uma batalha “viciosa” entre o Governo sírio e aqueles que desejam substituí-lo, disse o Secretário-Geral. “Mas não há vencedores em Aleppo hoje, nem em qualquer outro lugar do país. Os perdedores nesta batalha cada vez mais são o povo da Síria.”

Ban Ki-moon destacou que pressão internacional reunida pode fazer a diferença. “Todos nós temos uma responsabilidade para com o povo da Síria. Devemos usar todos os meios pacíficos da Carta das Nações Unidas para ajudá-los a se unir em torno de um processo de transição liderada pelos sírios que se baseia no diálogo e no compromisso, e não em balas e prisões.”

Ele acrescentou que a responsabilidade principal de interromper a violência se apoia naqueles que estão no país, particularmente o Governo. “Mas a sua recusa em depor as armas não nos absolve da necessidade de agir. Peço a todos os membros desta Assembleia que façam face às responsabilidades coletivas que carregamos.”

Presidente da Assembleia Geral critica posição do Conselho de Segurança

O Presidente da Assembleia Geral da ONU, Nassir Abdulaziz Al-Nasser, também expressou profundo pesar com o Conselho de Segurança, que foi novamente incapaz de se unir e tomar uma ação coletiva para pôr fim à crise. Ele afirmou que o impasse no Conselho “envia os sinais errados para todas as partes no conflito com a Síria.”

Dado que o plano de seis pontos não está sendo implementado e que a violência está aumentando, os Estados-Membros não têm escolha senão tomar as medidas necessárias credíveis, disse ele. “A credibilidade das Nações Unidas está em jogo. A estabilidade regional no Oriente Médio está em jogo. As vidas de milhares de pessoas inocentes depende de nossa resposta.”

Ontem (2), Kofi Annan anunciou que não continuará como Enviado Especial Conjunto após o termino de seu mandato, no final de agosto. O Secretário-Geral disse que, enquanto um sucessor está sendo avaliado para substituir Annan, a mediação só pode ter sucesso onde há um compromisso para resolver o conflito.

A ONU estima que mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, foram mortas na Síria e dezenas de milhares deslocadas desde o levante contra o presidente Bashar al-Assad, que começou há cerca de 16 meses.

ACNUR: Ajuda não alcança os que mais precisam

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR) informou hoje (3) que mais e mais pessoas estão sendo forçadas a abandonar suas casas para buscar segurança. Segundo o ACNUR, a violência continua, com centenas de milhares de pessoas já tendo fugido para países vizinhos.

“Aqueles mais difíceis de ajudar – cerca de 1,5 milhão de pessoas – permanecem deslocadas na Síria e buscam refúgio em famílias de acolhimento ou abrigos improvisados. Muitos outros estão presos, temendo o risco de ser pegos no combate ou alvejados durante a fuga”, disse a Porta-Voz do ACNUR, Melissa Fleming, em entrevista coletiva em Genebra.

O ACNUR, com a ajuda do Crescente Vermelho Árabe Sírio, continua a fornecer materiais básicos para permitir às famílias que construam casas improvisadas, mas o acesso às pessoas necessitadas continua a ser o problema mais significativo.

“Com a insegurança aumentando drasticamente em Aleppo, o terror está tomando conta da população e a ajuda humanitária é desesperadamente necessária”, disse Fleming, que acrescentou que, em Damasco, as explosões foram testemunhadas em vários bairros e a violência está se espalhando.